A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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quarta-feira, 13 de junho de 2007

"Onze"




Mas a pequena areia caminha com seu passo invisível;
do cristal quebrado, da montanha submersa,
a areia sobe e forma paisagens, campos, países ...

Mas o esquema do peixe e da concha modela seus desenhos
e desenrola-se a anêmona,
e o fundo do mar imita o inalcançável firmamento.

Mas a flor está subindo, próxima,
cheia de sutis arabescos.

Mas a água está palpitando entre o pólo e o canal,
viva e sem nome e sem hora.

Mas o sonho está sendo alargado como as imensas redes,
ao vento do mundo, à espuma do tempo,
e todas as metamorfoses caídas aí se agitam,
resvalando entre as malhas muito exíguas
que separam o que é vida do que é morte.

E a mão que dorme está sendo lavrada pela noite,
pela noite que conhece todas as veias,
que protege e destrói pétala e cartilagem,
a pequena larva da água
e o touro que investe contra o nascer do dia ...

Porque o dia vem.
E a nossa voz é um som que se prolonga,
através da noite.
Um som que só tem sentido na noite.
Um som que aprende, na noite,
a ser o absoluto silêncio.


Cecília Meireles
Doze Noturnos da Holanda
e outros poemas

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