A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

'A Cegonha'



Em solitária, plácida cegonha
Imersa num cismar ignoto e vago,
Num fim de ocaso, à beira azul de um lago,
Sem tristeza, quem há que os olhos ponha?

Vendo-a, Senhora, vossa mente sonha
Talvez, que o conde de um palácio mago,
Loura fada perversa, em tredo afago,
Mudou nessa pernalta erma e tristonha.

Mas eu, que em prol da Luz do pétreo, denso
Do Ser ou do Não-Ser tento a escalada,
Qual morosa, tenaz, paciente lesma,

Ao vê-la assim, mirar-se n’água, penso
Ver a Dúvida humana debruçada
Sobre a angústia infinita de si mesma!

Aníbal Teófilo
(1873-1915)

Curiosidades sobre o autor:

Aníbal Teófilo de Ladislau y Silva de Figueiredo y Melo de Giron de Torres y Espinosa

Pseudônimo: Aníbal Teófilo, poeta e militar brasileiro, nascido na Fortaleza de Humaitá, Paraguai- em 21 de julho de 1873, falecido no Rio de Janeiro (assasinado pelo também escritor Gilberto Amado) em 19 de junho de 1915-
Referência de Edgar Rezende (Academia fluminense de letras) Setembro 1945. "Os mais Belos Sonetos brasileiros' pag. 129-

Conforme referência de Afrânio Coutinho em sua "Enciclopédia de literatura brasileira" o local de nascimento do poeta seria a cidade de Humaitá no Rio Grande do Sul-