
Em solitária, plácida cegonha
Imersa num cismar ignoto e vago,
Num fim de ocaso, à beira azul de um lago,
Sem tristeza, quem há que os olhos ponha?
Vendo-a, Senhora, vossa mente sonha
Talvez, que o conde de um palácio mago,
Loura fada perversa, em tredo afago,
Mudou nessa pernalta erma e tristonha.
Mas eu, que em prol da Luz do pétreo, denso
Do Ser ou do Não-Ser tento a escalada,
Qual morosa, tenaz, paciente lesma,
Ao vê-la assim, mirar-se n’água, penso
Ver a Dúvida humana debruçada
Sobre a angústia infinita de si mesma!
Aníbal Teófilo
(1873-1915)
Curiosidades sobre o autor:
Aníbal Teófilo de Ladislau y Silva de Figueiredo y Melo de Giron de Torres y Espinosa
Pseudônimo: Aníbal Teófilo, poeta e militar brasileiro, nascido na Fortaleza de Humaitá, Paraguai- em 21 de julho de 1873, falecido no Rio de Janeiro (assasinado pelo também escritor Gilberto Amado) em 19 de junho de 1915-
Referência de Edgar Rezende (Academia fluminense de letras) Setembro 1945. "Os mais Belos Sonetos brasileiros' pag. 129-
Conforme referência de Afrânio Coutinho em sua "Enciclopédia de literatura brasileira" o local de nascimento do poeta seria a cidade de Humaitá no Rio Grande do Sul-









