A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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terça-feira, 14 de agosto de 2012

'E N T A R D E C E R'


O crepúsculo desce! A tarde finda. . .
Que drama ante os meus olhos se descerra!
O sol, cansado da batalha infinda,
As pálpebras de luz no ocaso, cerra. . .


Silente a tarde a imensidade brinda!
Infinita saudade me soterra! . . .
Ante esta quadra misteriosa e linda,
Recordo-me dos céus de minha terra!


Olho o poente que aos poucos se avermelha!
Nesta contemplação a alma se ajoelha,
Deslumbra ao calor das grandes ânsias


E sequiosa do sol de outra paragem
Integra-se à beleza da paisagem
E mergulha na bruma das distancias! . . .



Jansen Filho
In: Obras Completas

"PÔR DE SOL"


Resfolga a Natureza! Em convulsões tamanhas,
Desce a gaze do céu envolvedora e fina. . .
O espaço esconde a luz da tarde nas entranhas
E sorve as emoções do dia que termina. . .

A cigarra desata um rasgo que fascina
Entre as copas azuis das arvores estranhas!...
A tarde cede! O céu desmaia! O Sol declina
E tomba, ensangüentando a crista das montanhas!...

Espalham-se pelo ar as queixas mais sentidas
De bronzes a gemer, na hora da Ave-Maria,
Num dobre sepulcral de nênias repetidas!


Do côncavo do azul rola a sombra envolvente
E a grande procissão dos astros se inicia
Para o enterro do sol no mausoléu do Poente!



Jansen Filho
In: Obras Completas

terça-feira, 17 de maio de 2011

COMO ESTAS FOLHAS MORTAS. . .


Como estas folhas mortas, ressequidas,
Que rolam lentamente pelo chão,
As minhas esperanças fementidas
Voaram aos ventos da desilusão!


A arvore das minhas crenças fenecidas,
Agigantou-se para a imensidão,
Soltando as folhas já descoloridas
No triste descampado da ilusão!


A luz que outrora no meu ser fulgia,
Não brilha mais! . . . seu termino anuncia
A derrocada bárbara do fim!


- Outra luz no meu ser fulgura e cresce!
É a luz da Fé! A luz que não perece!
Luz que Deus acendeu dentro de mim!



Jansen Filho
In: Obras Completas

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A CANÇÃO DO MAR


À sombra dos imensos coqueirais,
Ouço as queixas infindas e os tormentos
Do mar que entre gemidos espectrais,
Confessa à solidão seus sofrimentos!


Gosto de ouvir os mares turbulentos,
Que nas suas canções sentimentais,
Tem a monotonia dos lamentos
Que os sinos soltam pelas catedrais. . .


Escuto ao longe entre profundas magoas,
Os soluços monótonos das águas
Que vão aos poucos para o céu crescendo!


Num cenário de dor e convulsão,
Enquanto as ondas preguiçosas vão
Pela areia da praia se estendendo. . .



Jansen Filho
In: Obras Completas

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

E N T A R D E C E R



O crepúsculo desce! A tarde finda. . .
Que drama ante os meus olhos se descerra!
O sol, cansado da batalha infinda,
As pálpebras de luz no ocaso, cerra. . .


Silente a tarde a imensidade brinda!
Infinita saudade me soterra! . . .
Ante esta quadra misteriosa e linda,
Recordo-me dos céus de minha terra!


Olho o poente que aos poucos se avermelha!
Nesta contemplação a alma se ajoelha,
Deslumbra ao calor das grandes ânsias


E sequiosa do sol de outra paragem
Integra-se à beleza da paisagem
E mergulha na bruma das distancias! . . .



Jansen Filho
In: Obras Completas

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

DEPOIS DO VENDAVAL



Obumbra-se a manhã ! O céu fechado
Desenrola-se em forma de sudário!
O meu pobre jardim desmoronado,
Quase se transformou num triste herbário!

Há em cada amaranto desbotado,
Uma desolação de campanário !
Como se houvesse por ali passado
O espetro de um tufão incendiário!

Num segundo o jardim se recompõe!
O sol desponta e sobre as plantas põe
Miríades de cores luminosas !

A primavera se renova enfim!
Como se Deus descesse em meu jardim,
Benzendo as flores e crismando as rosas! . . .


Miguel Jansen Filho
(Paraíba 1925/1994)