A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

Seja bem-vindo. Hoje é
Deixe seu comentário, será muito bem-vindo, os poetas agradecem.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

"SAUDADE"





Saudade!
Dize-me: Quem és?

Tu apareces sempre
Quando alguém se separa,
Deixando um rastro qualquer...

Presente estás
Quando o amor se parte,
Partindo também
Os elos de uma corrente,
Corrente que devia ser permanente...

Saudade!
És um termo
Como outro qualquer,
Mas és também
Uma personagem da vida,
Que se coloca entre dois seres...

Mas, saudade.
Torno a perguntar-te:
Finalmente,
Quem és?!


Olympiades G. Corrêa
Neblina do Tempo – 1.996 -

terça-feira, 17 de julho de 2007

CAMINHEIRO SOLITÁRIO




Certo dia, prometeram
Que lhe dariam o coração,
Uma doce e terna morada...

Hoje,
Como um caminheiro solitário,
Pobre de amor e de carinho,
Vive batendo de porta em porta,
Em busca de agasalho
Para abrigar sua alma
Dos invernos da vida,
Como um simples esmoleiro.

Tal qual o viajor de mil jornadas...
Pássaro sem ninho...
Vive,
Quem sabe?
Talvez,
De sombras,
Lembranças do passado,
De céleres promessas
Que ficaram à beira dos caminhos...


Olympiades Guimarães Corrêa
de Neblina do Tempo -1.996-

CÂNTICO DAS HORAS




Eu quero cantar,
Mas não posso!...

Algo existe em mim
Que me embarga a voz,
Que me oprime,
Tornando-me simples pigmeu,
Um ser inconformado...

Eu quero cantar ,
Mas não posso!...

Preciso revelar
ao mundo inteiro
Um poema escondido,
Que grita dentro de minhalma ...

Eu quero cantar
Mas não posso!...

Algo existe
Que tornou meu coração
Um simples prisioneiro.
Então tudo em mim emudeceu,
Ficando apenas o cântico das horas...


Olympiades Guimarães Corrêa
De Neblina do Tempo -1.996

domingo, 15 de julho de 2007

"VOZES"




Vozes ausentes,
Que deixaram saudades.
Vozes distantes,
Em doces murmúrios.
Vozes presentes,
Em forma de jogral,
Que nos falam de amor e paz...

Vozes do vento,
Que cantam sem cessar
Em estranho sibilar.
Vozes que vêm de longe
E chegam aos nossos ouvidos,
Parecendo dizer algo,
Que não entendemos claramente...

Vozes que entoam cânticos
Que se perdem no infinito.
Como são belas as vozes,
Ricas afinadas,
Que no silêncio,
Como doces acalantos,
Chegam aos nossos ouvidos
E nos fazem adormecer...


Olympiades Guimarães Corrêa
- In Eterna Procura

"VILA DAS LEMBRANÇAS"




Vila das Lembranças.
Quem sabe?
Um mapa cheio de legendas.
Um caminho que não tem fim.
Uma simples vereda
Cheia de pedras angulares...

Vila das Lembranças.
Quem sabe?
Ruas que se cruzam.
Uma rua a mais,
Uma rua a menos,
Numa simples esquina da vida!...

Vila das Lembranças.Quem sabe?
Sombras que deixamos para trás.
Figuras, apenas figuras,
Brumas como num cais deserto...

Vila das Lembranças.
Uma vila modesta,
Vila da nossa infância,
Da nossa cidadezinha natal!
Cheia de lembranças coloridas,
Coisas que permanecem em nossa mente
E que o tempo não consegue destruir...


Olympiades Guimarães Corrêa
De Neblina do Tempo -1.996-

segunda-feira, 9 de julho de 2007

POEMA SEM RETOQUES




Para Armindo Trevisan

Algo se aproxima.
Não sei se é princípio do fim
Ou fim do princípio!?

Os sinos tocam sem cessar.
Os pássaros fogem em debandada.
No horizonte aparecem nuvens de fumo.
Os homens não se entendem mais,
Falam línguas diferentes.
Parece que está se repetindo
O espetáculo de antigas cidades:
- SODONA E GOMORRA...

Os homens se esqueceram de Deus.
Procuram materializar oo mundo contemporâneo.
Criaram uma nova crença - o egocentrismo.
Tornaram a vida tão estéril.
Passaram a duvidar do castigo,
Quem um dia poderá vir
Pelas iniqüidades cometidas contra os céus...

As coisas as vezes se repetem
Como célebres profecias...

Ouvem-se ao longe gritos de pavor.
Gritos que vêm de outras terras.
O barulho impertinente da metralha.
O troar provocante dos canhões.

Os tiros avulsos dos fuzis.
São todos símbolos tão estranhos,
Pois falam a linguagem tétrica da guerra...

E a PAZ onde se esconde?!

Longe de todas as guerras?
Numa floresta solitária?
Num breve momento de meditação?
Num simples instante
De profundo recolhimento?
Quem sabe?
Num encontro fraterno
Para um simples aperto de mãos...


Olympiades Guimarães Corrêa
In - Eterna Procura - 1922

'VOZES'



Vozes ausentes,
Que deixaram saudades.
Vozes distantes,
Em doces murmúrios.
Vozes presentes,
Em forma de jogral,
Que nos falam de amor e paz...

Vozes do vento,
Que cantam sem cessar
Em estranho sibilar.
Vozes que vêm de longe
E chegam aos nossos ouvidos,
Parecendo dizer algo,
Que não entendemos claramente...

Vozes que entoam cânticos
Que se perdem no infinito.
Como são belas as vozes,
Ricas afinadas,
Que no silêncio,
Como doces acalantos,
Chegam aos nossos ouvidos
E nos fazem adormecer...

Olympiades Guimarães Corrêa -
In Eterna Procura

sábado, 7 de julho de 2007

TRÊS PENSAMENTOS IRMANADOS



A MODÉSTIA é de todas as virtudes a mais simples e meiga.

A BONDADE ... esta virtude etérea, que nasce do
âmago do coração,floresce e vive.

O SOFRIMENTO é próprio das almas
puras.


Olympiades Guimarães Corrêa
de Neblina do Tempo -1.996

quinta-feira, 5 de julho de 2007

POEMA QUE A NOITE ESCREVE



A noite é minha amiga
Porque sou boêmio
Quando ela surge
Com seu manto de veludo,
Surgem
Também
Doces acalantos,
Suaves cantigas de ninar
Como cálidas preces de amor.

Logo,após,nasce a madrugada.
E com ela as serenatas.
Os grupos de boêmios ,
Dedilhando as cordas de seus violões,
Entoam à sua bem-amada
Lindas canções.
Madrugada das serestas.
Oh! Quem me dera
Que fosses eterna
Eterna como tudo que é do espírito
Porque és, para mim,
O mais tranqüilizante dos bálsamos,
Tornando min’alma
Leve qual uma pluma.

Mas nada neste mundo é eterno.
Passam os prazeres,
Os encantos
Os momentos felizes se evanescem
Como se desvanece tudo nesta vida
E é, por isso ,ó noite,
Minha grande amiga,
Que os corações sonhadores
Ficam enamorados de ti...

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do tempo – 1.996

MADRUGADA


(Van-Gogh)

Violões a dedilhar
Baladas simples.
Noites de boemia,
Tudo é música e poesia.

Corações unidos
Em doces serenatas.
Noites que não terminam,
Dias que não amanhecem,
Como se fossem eternas as madrugadas.

Cantores em vigília
Entoam suas canções.
E vozes, em tom dolente,
Embalam corações.

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo 1.996

MOMENTOS



Momentos de nostalgia
Que nos entristecem.

Momentos de saudade
Que nos magoam.

Momentos de alegria
Que embalam a nossa alma.

Ao longe,a musica que toca.

No CÉU,
A lua e sinfonias siderais.

Nas moradas, as janelas iluminadas.

Nos jardins as flores exalam o seu
perfume:
Rosas,cravos e açucenas.

E em cada canto vejo um vulto de
mulher...


Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo -1.996

LONGA ESPERA



Minha vida,
Vida minha,
Tem sido uma longa espera
E esta longa espera
Me acompanha desde menino...

Espera...
Ilusões...
Coração repleto de sonhos,
Sonhos irrealizados
Eis o retrato de minha vida...

E a gente não consegue,
Nem por simples brincadeira,
Aquilo que mais deseja
E vive-se numa procura constante...

O tempo vai passando
E vai-nos levando.
Então se contam
As páginas de um livro
-Que pode ser o da vida –
Registrando-se em cada página,
Como as folhas de um diário,
Apenas apreensões,
Surpresas,
Acompanhadas de alegrias
Que são tão poucas
e de uma longa
e indefinível espera!...

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo-1.996

VAZIO



Há certos dias
Que sinto em min’alma
Um vazio infinito,
Um vazio sem sentido,
Um vazio indefinível,
Vazio dos ventos e procelas,
Vazio que vem de longe
Cuja origem desconheço,
Maior,
Muito maior que a solidão...

Há certos momentos
Que sinto dentro de mim
Um vazio talvez originário das vagas,
Dos grandes mares
E que às vezes me inunda,
Quase me faz soçobrar...

Há certas horas
Que sinto dentro de mim
Um vazio que se agiganta,
Diante do qual me sinto pequenino
E comparo este vazio tão grande
Ao vazio da hora do adeus...

Mas existe,sim,
Um vazio,
Muito maior do que todos os vazios,
E que se alojam no âmago dos corações,
O vazio imenso da saudade!...


Olimpyades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo -1.996

quarta-feira, 4 de julho de 2007

TUDO SE PERDE NA ROTINA



Todo dia...
As mesmas caras.
As mesmas sombras.
Passos apressados.
Coisas que não mudam
E tudo se acomoda,
Tomando seu lugar...

Personagens representam
No palco da vida
Drama ou comédia...
Tendo o céu por testemunha,
O asfalto como passarela
Por onde desfila a multidão...

Todo dia...
Uma nova ilusão.
Uma nova esperança.
Um ideal frustrado
E a realidade é sempre a mesma...

Uns nascem para a vida,
Outros vivem por viver
E quantos morrem!...
Por quê?

E a vida continua,
Tendo a morte como sua realidade,
Simples e irremediável...

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo 1.996

EVOCAÇÃO



Quando nasce amanhã cheia de graça
E a beleza da mata se irradia
Com o cantar da passarada
Surgem tênues raios de luz.
E o sol, ao longe, desponta.
É a alvorada que surge,
O doce e alegre amanhecer!

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo-1.996

sábado, 30 de junho de 2007

SÓ ,SEM A TRISTEZA



BOM DIA,
Tristeza!
Direi eu,
Amante das musas,
Nestes dias outonais,
Dias de inquietude e tédio,
Quando nossos corações
Sentem a tua presença...

BOA TARDE,
Tristeza!
Eis o meu melacólico comprimento,
De quem padece em tua companhia,
De quem vive desiludido
Neste mundo triste e sofredor,
Ignora a minha existência
E deixa de me ferir
Sem um motivo sequer...

BOA NOITE tristeza! Vou-me embora.
Não me sigas,
Pelo amor de Deus
Prefiro ficar só,
Indiscutivelmente,
Só,
Enamorado eterno
Da música e do amor...

Vai
Tristeza!
Segue teu caminho
E eu seguirei o meu,
Embora sem rumo
Fugindo da tua companhia...

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo 1.996

POEMA EM FORMA DE SONATA



Existe algo dentro de mim,
Algo que o peito agasalha,
Pequeno no tamanho,
Que bate,
Pulsa e sente.
Suas batidas podem ser contadas,
Como quem conta as de um relógio
Ou as contas de um rosário.
Ele pulsa numa batida constante,
Sente as alegrias do momento,
Também as tristezas da sua vida
E a dor amarga da saudade...

E,quando parar de bater,
Será apenas uma vida
Que deixou de existir,
Um coração amargurado
Que deixou de pulsar...

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblinas do Tempo 1.994

SAUDADE



Saudade!
Dize-me: quem és?

Tu apareces sempre
Quando alguém se separa,
Deixando um rastro qualquer...

Presente estás
Quando o amor se parte,
Partindo também
Os elos de uma corrente,
Corrente que deveria ser permanente...

Saudade !
És um termo
Como outro qualquer,
Mas és também
Uma personagem da vida,
Que se coloca entre dois seres...

Mas, saudade,
Torno a perguntar-te:
Finalmente,
Quem és?

Olympiades Guimarães Corrêa
Do livro Neblina do tempo 1.996

TEUS OLHOS SÃO CAIXINHAS DE SEGREDO




Teus olhos possuem a sensibilidade,
sensibilidade das baladas tristes,
Da baladas e doa noturnos de Chopin,
Cheio de acordes divinais
Porém melancólicos como a própria música...

Quando os fito,com ternura,
Parecem os mormaços,
Mormaços das tardes de verão.
São tristes,
São divagadores,
Mas excepcionalmente lindos,
Porque possuem algo,
Algo difícil de definir...

E é por isso
Que gosto dos teus olhos,
Porque eles são caixinhas de segredos...

Olympiades Guimarães Corres
De Neblina do tempo- 1.996

NEBLINA DO TEMPO



(Homenagem a Marcel Proust)

Na neblina do tempo
O menino desapareceu,
Levando com ele
Todos meus sonhos e ilusões.
Hoje,resta apenas,
No homem que sou eu,
A sombra domenino,
Daquele menino sonhador
Que fui eu
E que na neblina do tempo
Certa vez se perdeu...

Olympiades Guimarães Corrêa
Poema de abertura do livro Neblina do Tempo 1.996