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domingo, 19 de abril de 2015
O VOO
Dói o domingo
no ninho dos tédios.
Dói o verão:
esta pele seca
estirada
sobre os ministérios vazios.
Dói o clube
dos domingos.
Dói o rito
dos domingos:
o amargo esporte
de viver.
O amargo esporte
de esquecer.
Dói a divisão da vida:
o pão subtraído,
o peixe poluído,
a paz envenenada.
Dói o voo cortante desta tarde.
H. Dobal,
Poeta piauiense, nasceu em Teresina.
In Antologia - I Concurso Nacional de Poesias
"Vinicius de Moraes" para Servidor Público.
[Arte;Michael&Inessa Garmash]
quarta-feira, 2 de junho de 2010
O tempo imóvel
O calor de seu canto vai parandoa tarde. Um pássaro canta.
Ao campo e à tarde a chama do verão
seu canto vai levando.
Fica parado dividindo a várzea
um marinheiro rio. A várzea morta,
o rio sem passar e o pássaro
que o sono do verão leva no canto,
e o tempo de lazer o tempo de jazer
antes da morte mais profunda. A sombra
do campo claro a sombra do silêncio
nasce do canto e do calor e dura
pára na terra pobre o mata-pasto
pára no campo o coração da tarde.
H. Dobal
In: O Tempo Conseqüente
sábado, 7 de junho de 2008
"TRANSEUNTE"

Transeunte numa cidade sem ruas,
é apenas um homem, apenas uma mulher.
A vida pesada cai sobre
os seus ombros cansados. Levados
de uma incerteza a outra incerteza,
de uma angústia a outra angústia,
no amargo sonho desta vida
pedindo ao verão o refrigério das sombras.
H.Dobal
Photo by Faro Old Town -Algarve- Portugal
quarta-feira, 4 de junho de 2008
"O vôo"

Dói o domingo
no ninho dos tédios.
Dói o verão:
esta pele seca
estirada
sobre os ministérios vazios.
Dói o clube
dos domingos.
Dói o rito
dos domingos:
o amargo esporte
de viver.
O amargo esporte
de esquecer.
Dói a divisão da vida:
o pão subtraído,
o peixe poluído,
a paz envenenada.
Dói o vôo cortante desta tarde.
H.Dobal
(1.927-2.008)
"Chuva"
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