A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O amor tem vozes misteriosas...



- O amor tem vozes misteriosas
No coração implume...
- Como são cheirosas as primeiras rosas,
E os primeiros beijos como têm perfume!

- O amor tem prantos de abandono
No coração que morre...
- As folhas tombam quando vem o outono,
E ninguém as socorre!

- O amor tem noites, noites inteiras,
De agonias e de letargos...
- Que tristeza têm as rosas derradeiras,
E os últimos beijos como são amargos!


Alphonsus de Guimaraens
(pai)
(Mina Gerais- 1870-1921)

terça-feira, 24 de julho de 2007

O CÉU É SEMPRE O MESMO: AS NOSSAS ALMAS...




O céu é sempre o mesmo: as nossas almas
É que se mudam, contemplando-o. É certo.
Umas vezes está cheio de palmas;
Outras vezes é só como um deserto.

Quem sabe quando vem as horas calmas?
Quem sabe se a ventura vem bem perto?
Homem de carne infiel, em vão espalmas
As tuas asas pelo céu aberto.

O que nos cerca é a fugitiva imagem
Do que sentimos, do que longe vemos,
Sempre sofrendo, sempre em vassalagem.

A vida é um barco a voar. Soltem-se os remos...
Cada um de nós da morte é servo e pagem:
Somos felizes só porque morremos.

Alphonsus de Guimaraens
In: 'Obra completa'

terça-feira, 26 de junho de 2007

O AMOR TEM VOZES MISTERIOSAS




- O amor tem vozes misteriosas
No coração implume...
- Como são cheirosas as primeiras rosas,
E os primeiros beijos com têm perfumes!

- O amor tem prantos de abandono
No coração que morre...
- As folhas tombam quando vem o outono,
E ninguém as socorre!

- O amor tem noites, noites inteiras,
De agonias e de letargos...
- Que tristeza têm as rosas derradeiras,
E os últimos beijos como são amargos!

Alphonsus de Guimaraens

quinta-feira, 21 de junho de 2007

'CANTEM OUTROS A CLARA COR VIRENTE'



Cantem outros a clara cor virente
Do bosque em flor e a luz do dia eterno...
Envoltos nos clarões fulvos do oriente,
Cantem a primavera: eu canto o inverno.
Para muitos o imoto céu clemente
É um manto de carinho suave e terno:
Cantam a vida, e nenhum deles sente
Que decantando vai o próprio inferno.

Cantem esta mansão, onde entre prantos
Cada um espera o sepulcral punhado
De úmido pó que há de abafar-lhe os cantos...

Cada um de nós é a bússola sem norte.
Sempre o presente pior do que o passado.
Cantem outros a vida: eu canto a morte...

Alphonsus de Guimaraens

quarta-feira, 13 de junho de 2007

"Tema secular"




As velhas ilusões são como um bando
De cisnes a vogar em manso lago:
Seguem suaves, silentes; vão sonhando,
Ao condão misterioso de um rei magro...

A tarde é um lírio roxo: o acaso é brando,
E morre à beira-céu , como um afago;
A lua, errante arcanjo miserando,
Ergue-se então com o seu palor pressago...

Há sombras pelos bosques enluarados,
E nos torreões do céu vultos humanos
Envolvem-se em grinaldas de noivados...

Vêm dias, e vêm meses, e vêm anos:
E os cisnes, em casais de bem casados,
Seguem singrando o lago dos enganos...


Alphonsus de Guimaraens