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domingo, 12 de abril de 2015
Milagre
De tempos em tempos, necessita-se um milagre
Algo a ser visto, mostrado, não por sobrenatural,
mas por algo que toque e desvele a natureza mesma,
por onde ela se esconde na miséria de sua invenção
De tempos em tempos, um milagre:
um gesto, humano e natural que seja,
que resgate, por um instante,
( que embale a eternidade)
um corpo que cai em irreal realidade
De tempos em tempos, um milagre que nos veja
e acaricie os olhos vedados
de nossa cega mortalidade
Em tempo, um milagre,
para que enfim se veja
que milagre é todo tempo
que esculpe uma verdade
Milagre que revele
nossa transcendente humanidade.
Adrilles Jorge.
-Paint by -Vladimir Kush-
Falta
Quem sentirá tua falta quando faltares?
Importa a ti a tua falta
quando aqui não mais te achares?
Que falta faz a falta a si
quando a falta a ela mesma se torna presente?
Tu, que de ti nunca te ausentas
que de ti sempre te escondes
sabes bem
que tudo sobra
porque sempre falta algo que se ausenta,
desde antes que te abandonaram à vida,
quando nasceste
E até sempre
quando tu também
te encontrares na memória do que falta.
Adrilles Jorge.
-Paint by Christian Schloe-
Na treva
Na treva, desenhamos o esboço da luz
para que nossa criação nos ilumine
Na treva, tateamos a voz mais próxima
que ecoa o calor de um corpo
que aquecerá
a multidão de nossas solidões entrelaçadas
Abrimos os olhos
e enxergamos com nitidez
a escura salvação que nos cega
Fechamos os olhos novamente
a fim de nos libertar
da cegueira que nos conduz
e tocamos nossa nudez desamparada
invisível a olhos sempre vestidos
por uma sempre clara ilusão.
Adrilles Jorge.
[Poeta belo-horizontino]
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