A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

Seja bem-vindo. Hoje é
Deixe seu comentário, será muito bem-vindo, os poetas agradecem.
Mostrando postagens com marcador Artur Eduardo Benevides. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artur Eduardo Benevides. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de julho de 2010

OS AMIGOS, AO ENTARDECER


O tempo é breve e as afeições são poucas.
Os cabelos já tomam a cor das despedidas.
Tantas, as viagens! Quantas, as partidas
para as paixões, as festas e navegações?
Fraternas mãos vieram e me cobriram
com cálidos lençóis.
E preparei anzóis
para pescar os salmões do amanhecer.
Um dia, com os amigos, acendi fogueiras.
Deitamo-nos na relva, de alma ainda inteira.
Ou fomos olhar os trens
que vinham dos verões.
Vezes houve em que rimos, quase alucinados.
Nem vimos os exílios, demorados.
E estivemos unidos em nossos corações.


Artur Eduardo Benevides
In: Elegia Setenta e Outros Poemas


sexta-feira, 9 de abril de 2010

4


No resto do mundo
um murmúrio geral vai crescendo no escuro.
E a noite parece um ladrão a esgueirar-se
sobre os nossos muros.
Limpamos, então, lentos e calados,
nossos retratos no tempo pendurados.
E pensamos no dia em que chegar
o adeus.
Oh, o adeus, essa palavra sagrada
que guardará no infinito
a inutilidade de nosso pobre grito.


Artur Eduardo Benevides
In: Elegia Setenta e Outros Poemas

sábado, 27 de junho de 2009

Da poesia



11.

Sim, a poesia é a verdade mágica.
É o sonho a emplumar as tardes do real.
Ou alguma coisa que chega-nos, pelágica,
ou uma palavra eterna e pastoral.
A lógica poética é a beleza
a nascer do esplendor do ser em sagração
ou ao grito terrível da tristeza.
E tudo a voar, nas almas, é canção.


Artur Eduardo Benevides
(do livro Noturnos de Mucuripe & Poemas de Êxtase e Abismo,
(1992)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

SONETO DE INDAGAÇÃO



Será tarde, Senhora, será tarde?
A vida, igual ao dia, encontra ocaso.
Termina, pouco a pouco, o nosso prazo
E o frio olhar da morte já nos carde.


Que tua luz me salve ou me resguarde.
Tuas chamas me queimam. Já me abraso.
Estamos bem além de um simples caso.
A alma, outrora errante, em ânsias arde.

Tenho estranho fulgor de adolescência,
Mas, ao notar que tudo pede urgência,
Sinto que amar me traz um certo alarde.

E ao ver o tempo inexorável, lento,
Escravo de teu grande encantamento
Aflito te pergunto – será tarde?



Artur Eduardo Benevides
In: Elegia Setentã e Outros Poemas de Entardecer

terça-feira, 2 de junho de 2009

Dos caminhos e descaminhos da solidão (VIII)



Triste é o nosso sorrir.
Às vezes, chegar é o mesmo que partir.
Somos uma longa viagem
em que vamos perdendo rumo e paisagem.
E no silêncio final dos caminhos
estaremos sozinhos.
Por isso, em minha alma indormida
o sonho é como o apito de despedida
de um navio tragado em rodopio.

Artur Eduardo Benevides

Dos caminhos e descaminhos da solidão (VI)



Alma sozinha e perdida,
a solidão corre a toda a brida
para nada.
Mesmo assim, nasce a madrugada
sobre as casas vazias
e as penedias.
E tudo, em nós, verão ou primavera,
é uma vasta espera.


Artur Eduardo Benevides

domingo, 31 de maio de 2009

Os amigos, ao entardecer (IV)



No resto do mundo
um murmúrio geral vai crescendo no escuro.
E a noite parece um ladrão a esgueirar-se
sobre os nossos muros.
Limpamos, então, lentos e calados,
nossos retratos no tempo pendurados.
E pensamos no dia em que chegar
o adeus.
Oh, o adeus, essa palavra sagrada
que guardará no infinito
a inutilidade de nosso pobre grito.

Artur Eduardo Benevides

Os amigos, ao entardecer(I)



O tempo é breve e as afeições são poucas.
Os cabelos já tomam a cor das despedidas.
Tantas, as viagens! Quantas, as partidas
para as paixões, as festas e navegações?
Fraternas mãos vieram e me cobriram
com cálidos lençóis.
E preparei anzóis
para pescar os salmões do amanhecer.
Um dia, com os amigos, acendi fogueiras.
Deitamo-nos na relva, de alma ainda inteira.
Ou fomos olhar os trens
que vinham dos verões.
Vezes houve em que rimos, quase alucinados.
Nem vimos os exílios, demorados.
E estivemos unidos em nossos corações.


Artur Eduardo Benevides

Da poesia(I)



A poesia
é um pequenino veio nas colinas
a se espalhar por vésperas e matinas
até encontrar a solidão do mar.
E a solidão somos nós.
O mar:
o pranto o a voz
dos que Jamais puderam regressar.


Artur Eduardo Benevides
(Ceará)