A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

Seja bem-vindo. Hoje é
Deixe seu comentário, será muito bem-vindo, os poetas agradecem.
Mostrando postagens com marcador Angela Melim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Angela Melim. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de março de 2009

Clowns


(Clowns, S. Mulak)

Será triste a passagem
para a Terra Sem Sentimentos
do capital total.
Um por um
pelo desfiladeiro
como os mocinhos do cinema.
Fardos, jegues.
Camelos?
Também, vindos de outros filmes.
Turbantes, sarongues, sáris.
Irmão, primo.
Pai.
Até mãe pelo despenhadeiro.
Nada sobrará.
Amor, sorriso.
Pedra sobre pedra.
Só frieza e névoa.
Não, não será triste.
É Sem Sentimentos a Terra
do capital fatal.
Ovelha irreal
simulacro de gemido
inteligência transgênica.
Clowns, clones — será gente
o que desce da garganta
do outro lado da montanha
da transmutação global?

Angela Melim

Um Navio




"Quanta paz em baixo, na raiz do mundo...?"

(Virgínia Woolf)




A solidão é um navio.
Só o que me move é a pá da solidão,
o leme.
Se não gozo,
suspiro
cristas suspensas
pedras de sal
fiapos de mar –
a maior boca
a mais
voraz.
Mas no seu fundo longínquo
âncora
os leitos de areia e seus lençóis limpíssimos
os peixes cegos
a paz.



Angela Melim
(1.952-Porto Alegre-RS)