A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

DAS TARDES, SETEMBRO RENASCE


Trazidas das tardes, setembro renasce,
da fala da moça à janela sombria,
da torre tão pútrida voz da abiose ,
das águas do rio deste brilho do dia.

Eira sem beira das frontes das casas,
estio que tangido da terra postada,
dos cães deste abril sós urrando do prado,
dos ossos sem fôlego quase das asas.

Da moça franzina cá parva de olhar,
das aves sem branco do céu destas nuvens,
dos tons azuis mortos das frontes das pontes.

Passagem dos rios desta pedra do mito,
tinir quase breve das folhas das margens,
passadas dos passos dos mortos do séquito.

Eric Ponty
(Minas Gerais)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Do meio dia à eternidade


Eu percorro por estas ruas tão vazias,
olhando-me através desses transeuntes,
predizendo-me entre essa paisagem,
com meu olhar do meio dia à eternidade.

Vazio nestes instantes que divago,
percebo-me como ave necessária,
seja por entre as árvores plumárias,
dilúvio cotidiano pela estrada.

O mar apoderava o desespero,
floresta dos rebanhos brios difíceis,
então as águas eram superfície!

As corridas das ondas entre ventos,
estuário dessa alma tão longínqua,
do jovem rio estava ali nas fontes.


Eric Ponty

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Improviso

P/Paul Valéry

Se este silêncio da hora infindo se tangência
destas águas finórias, reterá renúncias,
destes viços soçobram honrarias das ondas
do lascivo marulho há esvaído desta praia.

Do silêncio, minha hábil voz vê-lhe fremir
se do pétreo do tempo hoste emigrado pássaro
deste fugido fátuo habitante oceânico
da sôfrega vertigem, habitat liberto.

Esta efígie do ecoar há de espraiar-se do céu
ressoar o murmulhar havido marinheiros
destas nuvens, folhagens, hábito não pesa.

Desta marmórea estátua valor heteróclito
ébrio clamor do voo vicários dos sombrios
velar marinhos hábitos destes terrestres.

Eric Ponty
(Do blog do autor)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Do sofrer que se olvida à própria vida




I

O Olhar é devir esvai-se à chama;
com suplício que vê e não transcende;
em um contemplamento impotente;
olhar alucina-se carpir;

É um deslumbrar mais do que olvidar;
do padecer olhar por entre à relva;
que ao não se perceber de existente;
do sofrer que se olvida à própria vida;

É um esvair-se intenso ao evadir;
Olhar a quem percebe mesmo visto;
revisto com quem vimos infinitos.

Se puder olhar imagem esplendor
frugais imensidões felicidade;
Pondo si tal verdade a mesma dor?

II

Do prado, ao meu olhar serei lento,
mais, com mais velo, rente ao vento,
que do mesmo enlace com maior,
zelo se feche entorpecimento.

Penso olhá-lo de cada ser instante,
esplendor sabe com findar no alento,
ao bramir despertar do meu canto,
contentamento pranto imortal.

Portanto quanto arde mais à tarde,
quiçá tece à sorte desta angústia,
por quem com o dizer dimensão.

Eu inda possa olhá-la desta chama,
tecer-lhe sorte clamar do infinito,
quem sabe ilusão de fenecido.

Eric Ponty

sábado, 6 de fevereiro de 2010

'Pequeno exercício do meio dia'



Minha alma partiu desta luz
das tardes frigidas desta dor
nos galhos destas árvores
nos cantos destes pássaros azuis
no olhar perdido das crianças
quer me trazendo N'Alma
às lembranças como frutos
presos aos galhos como maças
amadurecidas dos dias noturnos
sobre a relva que cândida cai.


Eric Ponty
(Minas Gerais)