A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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domingo, 28 de dezembro de 2014

''Dá-me tua mão''


Dá-me a tua mão e dançaremos;
dá-me tua mão e me amarás.
Como única flor seremos,
Como uma flor e nada mais…

O mesmo verso cantaremos,
E ao mesmo passo bailarás.
Como uma espiga ondularemos,
Como uma espiga e nada mais.
Te chamas Rosa e eu Esperança,
mas teu nome esquecerás,
porque seremos uma dança
na colina e nada mais…


Gabriela Mistral
Escritora Chilena,
Premio Nobel de Literatura de 1945


''Dame la mano''


Dame la mano y danzaremos;
dame la mano y me amarás.
Como una sola flor seremos,
como una flor, y nada más...

El mismo verso cantaremos,
al mismo paso bailarás.
Como una espiga ondularemos,
como una espiga, y nada más.

Te llamas Rosa y yo Esperanza;
pero tu nombre olvidarás,
porque seremos una danza
en la colina y nada más...


Gabriela Mistral

domingo, 2 de setembro de 2007

"EMBALANDO"





Balança o mar suas ondas
de praia em praia.
Ouvindo os mares amantes
meu filho embalo.

Balança o vento na noite
longe, os trigais.
Ouvindo os ventos amantes
meu filho embalo.

Balança Deus em silêncio
os seus mundos, aos milhares.
Sentindo-lhe a mão na sombra
meu filho embalo.


Gabriela Mistral -
Tradução de Henriqueta Lisboa

"MEDO"


.

Não quero que minha filha
se transforme em andorinha.
Para o céu iria voando
sem baixar à minha esteira.
Nos berais faria ninho
sem a pentearem meus dedos.
Não quero que minha filha
se transforme em andorinha.

Não quero que minha filha
se mude numa princesa.
Calçando sandálias de ouro
não brincaria no prado.
E quando a noite descesse
não dormiria a meu lado.
Não quero que minha filha
se mude numa princesa.

E menos quero que um dia
ela venha a ser rainha.
Sentá-la-iam num trono
a que meus pés não alcançam.
E quando a noite chegasse,
niná-la eu não poderia.
Não quero que minha filha
venha um dia a ser rainha.


Gabriela Mistral
Tradução de Henriqueta Lisboa

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

"FLOR DO AR"




Eu a encontrei por meu destino,
de pé a metade da pradaria,
governadora do que passe,
do que lhe fale e que a veja.

E ela me disse: "Sobe ao monte".
Eu nunca deixo a pradaria,
e me cortas as flores brancas
como neves, duras e delicadas".

Subi à acida montanha,
busquei as flores onde alvejam,
entre as rochas existindo
meio dormidas e despertas.

Quando desci com minha carga,
a encontrei a metade da pradaria.
e fui cubrindo-a frenética
com uma torrente de açucenas

e sem olhar-se a brancura,
ela me disse: "Tu carregas
agora só flores vermelhas.
Eu não posso passar a pradaria".

Subi as penas com o veado
e busquei flores de demência,
as que avermelham e parecem
que de vermelho vivam e morram


Gabriela Mistral