A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

''MONÓLOGO''


Há restos de tempos. . .
folhas soltas aos ventos
aos luares despertos.


Há restos de tempos. . .
noites lúgubres.
. . . momentos aos cantares da vida.


Há restos de tempos. . .
perdidos nos templos
das memórias aos sonhos.


Há restos de tempos.
em mim,
desfolhados, molhados.
. . . céus de chuvas sobre folhas
amarelas, esquecidas deformadas.



Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos

quinta-feira, 14 de março de 2013

''SER PÁSSARO''


Quisera ser pássaro
Liberta de preocupações
E cruzando mares e terras
Abençoar as amplidões !

Levaria mensagens
A longínquos destinos:
... restos de saudades!

Em outras paragens
De redobrados caminhos
Eu cantaria meus hinos:
... horizontes de carinhos !

Na leveza da graça,
Rapidez do passo,
Plumagem da raça,
Que seria doçura
Desconhecendo a amargura ...

E traria o amanhecer
Entre as mãos
Como promessa de vida,
Ater cegar-me o entardecer!

Aos céus em oração,
Eu ensinaria aos homens:
“O VOO DA PERFEIÇÃO”!

Alvina Nunes Tzovenos
in 'Sonhos e vivencias'

''MUTAÇÃO''


Eu busco o infinito das coisas,
Só encontro o finito do nada ...

Anseio um brinquedo desejado.

Procuro nas estrelas
O momento de meditar
Mas vejo-as
Em repetida fulguração!

Quero entre as flores
O desejo da perfeição
Mas encontro
Pétalas fenecidas!

Ouço entre pássaros
A alegria de cantar
Mas esse canto
É monotonia esmaecida !

No tudo,
Nos olhos pousando
Nas mãos tocando
Nos ouvidos escutando
Um repetir-se de ritmos iguais, como num prosaico relógio
Marcando horas banais !

Alvina Nunes Tzovenos
in 'Sonhos e vivencias'

''ENTRE O CÉU E O MAR''



Entre o céu e o mar
Há o infinito de esperas,
Conflito de incertezas,
Interrogação de cores,
Tristeza no olhar,
Prenúncio de paisagens.

Alvina Nunes Tzovenos
in 'Busca de Infinitos'

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

''NUM DIA EM QUE EU FICAR SOZINHA''



terei saudade
da manhã em discordância
da flor delirante
e da nudez da nuvem.

terei saudade
da claridade do outono
em esplendor que se despede.

terei saudade
da surpresa da flor singela
com passo choroso
a bater em minha alma
como pingo d’água.

terei saudade
da maciez da noite quieta e morna
com sede de lua falante.

terei saudade
de meu pensamento sonâmbulo
saudade do irreal.

Alvina Nunes Tzovenos
Palavras ao Tempo

domingo, 11 de novembro de 2012

''A vida tem cores''





A vida tem cores
nas cores da vida,

em aquarela tingida
...desenha luz e som!
 
A vida tem cores
no beijo dos pássaros,
num adeus sem perfumes
... no pólen das flores!

A vida tem cores
numa palavra amarga,
num céu muito amplo
... presença que tarda!

A vida tem cores
num abraço amoroso,
num sorriso que chega
... num crepúsculo choroso!

A vida tem cores
nos sonhos vividos,
nos mares inquietos
... encontros perdidos!

A vida tem muitas e muitas cores,
as que ninguém pode ver,
quando minh'alma chora e ri
pela felicidade
que eu posso conter!

A vida tem cores
mesmo num coração morto!

Alvina Tzovenos
In Sonhos e Vivencias

terça-feira, 21 de agosto de 2012

''SONHANDO''

(Tela de Bruno Amadio )

Faço poemas
como criança que chora
como navio que se despede
como pássaro alvejado.


Faço poemas
na paisagem das horas
ao entardecer dos sonhos.


Faço poemas
sem desencanto
como uma vela morrendo
ou como um louco
desenhando painéis
de falsas caricaturas.


Faço poemas crianças
razão de um viver
sabor de fruto
amargo ou doce.


Faço poemas
como um maestro
iludindo-me
de todas as melodias.

Faço poemas.


Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

segunda-feira, 2 de julho de 2012

'IDEAL'


Preciso semear
em todos os horizontes
brancas paisagens de aves
. . . sendeiro luz aos humanos.


Preciso ver germinar
. . . lá, muito lá,
beijos se encontrando,
desertos sussurrando . . .


preciso ver florescer
nessas vastidões submissas
pensamentos em largos vôos. . .


Desejo então,
nessas nesses raras,
absorver perfeições de céus
. . . ódios sorrindo aos perdões
. . . braços recolhendo ausências
. . . silêncios desenhando canções.



Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos

'AO SABOR DOS VENTOS'


Entre ventos de folhas,
ontem,
. . . remansos recados
bailaram cansados.


Entre ventos de folhas,
hoje,
. . . anoiteci cantando,
Horizontes madurando.


Entre ventos de folhas,
amanhã,
. . . amarei saudades,
adocicadas teimosas.


Porque. . .
tua luz,


. . . caricia de brisa sorriso
. . . mares de ondas revoltas,
beijará minh’alma
sempre, sempre,
mesmo AO SABOR DOS VENTOS!



Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos

sábado, 7 de janeiro de 2012

'SOFISMAS'

(Pintura de Anouk Lacasse)


Às vezes
eu sou chuva
e escorro pelas valas
da desilusão.

Às vezes
sou vento
e percorro alamedas
inutilmente.

Por que sou chuva?
Por que sou vento?
Por que reclamo poemas?
cânticos tão verdes?
se já sou inverno
a entoar hinos de hosana
entre folhas secas
pisadas
machucadas demais
para inventarmos outra igual.


Alvina Nunes Tzovenos
Palavras ao Tempo

terça-feira, 31 de maio de 2011

NAVEGANDO . . .


E na busca dos astros
nebulosa minha alma
traz luzeiros aromas.


. . . nuvens espirais
em rompimento de auroras
a caminhos estivais.


E entre poentes dormidos,
os olhos a vagar
águas quietas sem prantos,
debruçam-se a sonhar. . .


Será pecado ou delírio,
envolta em beijos de seus
sobraçar caminhos lírios.
Tocar aos astros como anjos?


E ao desigual dos infinitos,
. . . abraço frio das realidades.
Sonho ainda! ... à luz das tempestades.



Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos

sábado, 21 de maio de 2011

LABIRINTO

. . . nesse emaranhado de asas partidas
sente-se a dor dos afogados
um quebrar-se de ossos frágeis
e um estalido de cristal partido.

. . . entre névoas de solidões
pressente-se o beijo das coisas mortas
o nunca regresso de um anjo que se exilou
quando a hora gemia em dores
no seu crepúsculo cismarento.

. . . as cores se confundem como confetes
de um carnaval sem música
os adeuses perdem sua expressão
os loucos adquirem sensatez
(a sensatez das coisas banais).

No labirinto da vida
encontro o carrossel de todas as vidas.


Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

TRANSIÇÕES


Mastigando raízes de eternidade
adentro-me pelas colinas dos céus
onde Deus é meu relógio.

E buscando sabedoria
não me torno deserto e nem ausência.

Recolho em minha solidão
muralhas de calmaria
sem gemido de dor ou morte.

Em meus redemoinhos
viajo entre cansaços de séculos
adornada de crisântemos amarelos.

Em minha ausente juventude
não há abismos em voragem.
Trigo, fonte e pombas
ornamentam minhas varandas.

A noite ajoelhada soluça
em seu tapete e entre velas.
O tempo que é túnel
fala das estações
derramando chuva de invernos
até às eternidades.


Alvina Nunes Tzovenos
Palavras ao Tempo

terça-feira, 26 de abril de 2011

E POR QUE NÓS?

(Paint by Farhad Foroutanian)

Dentro de todos nós
há uma casa vazia
escura ou clara
translúcida de vida e morte
cheirando memórias de tempo.

Dentro de todos nós
há uma casa vazia . . .

de pranto e de paz e de luz
de risos e de tardes plenas de azul.

Dentro de todos nós
há uma casa vazia . . .

quando os braços da noite
dizem das coisas vividas e
falam com olhos de menino travesso
como se caracóis e caretas de palhaço
enfeitassem nossos desenganos.

Dentre de todos nós
há sempre uma casa vazia . . .


Alvina Nunes Tzovenos
Palavras ao Tempo

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

DESCRENDO. . .


Hoje não encontrei horizontes. . .
não ouvi seus acenos
não toquei em suas brisas
não vislumbrei suas promessas
não aspirei suas carícias
não sorvi suas entregas


Por que será?
. . . pavoneiam-se de suas cores?
. . . já não me amam mais?
- levaram-nos
ou eu os perdi?


Oh! minhas inspiradoras auroras!
Oh! meus confidentes poentes!



Alviana Tzovenos
In: Buscas de Infinitos

REDES AO MAR

Em busca dos horizontes
serei sempre
pescadora de ilusões.


Em minha rede quimera
dormirão meus longos verões
criança sonho . . . primavera.


E nas manhãs e tardinhas
das minhas águas azuis,
meus doces verdes cardumes
os beijarei numa espera . . .


ao entoar minha Paz
abraçando noites-perfumes!



Alviana Tzovenos
In: Buscas de Infinitos

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

'INSÔNIA'


É silencio na calçada.
A noite avança
e os meus olhos
cansados,
amigos das madrugadas,
buscam memórias
veladas.
Tristonha
debato-me no leito
qual ave ferida no peito.
Não vejo o que sinto
mas
sinto tudo o que vejo.


Alvina Tzovenos
In Sonhos e Vivências

(Poetisa, professora e artista plástica de Porto-Alegre RS,
nascida em 1.929)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

SEGMENTOS


E o homem seguiu entre guizos falsos.
Trazia no rosto uma sofreguidão de charcos.


Era noite
e os fantasmas enlouquecidos não o deixavam seguir.


Assim
andarilho de madrugadas
homem de silêncios fartos
ele se enfatizou.


Riscou de seu rosto a mascara da vida.


Continuava só
e só, continuava em sua busca viscosa.


Já não era mais ele quem fremia
na porta dos bares vazios.


Era a nostalgia de seu espectro
que buscava carnavais de sorrisos.



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

segunda-feira, 19 de abril de 2010

VOZES


Grita o vento nos muros da noite
como reflexos de espelhos partidos.


Há um ruído de coisas magoadas
lembrando madrugadas enfermas.


O vento e o ruído acelerando cadencias
são como garças
em tardes eróticas.


Só as luzes se repetem.
Só os sons se beijam
em baladas insanas.


Há pegadas escondidas
entre alamedas tranqüilas
enquanto
o tédio, a busca e a lassidão
ainda se aninham.



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

POÇAS D’ÁGUA



. . . poesia dançando nos campos da alma
na evocação da presença lagrima
a dormir na prece do vento irrequieto.


. . . murmúrio do amor que se deitou sozinho
na cama fria da desesperança
com saudade do abraço que aquece os corpos
do beijo a sussurrar promessas presença.


. . . procissão de vozes a se fazerem mar verde
de versos que o vento beija sem chorar
de ilhas virgens a não se deixarem tocar.


Poças d’água
em meus olhos pisados de paisagens alagadas
inundados de todas as vivencias
vivencias de meus horizontes tímidos
a repousarem sobre estradas gritantes.


Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo