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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Excerto do nº 3
[...] Nessas horas lentas e vazias, sobe-me da alma à mente uma tristeza de todo o ser, a amargura de tudo ser ao mesmo tempo uma sensação minha e uma coisa externa, que não está em meu poder alterar. Ah, quantas vezes os meus próprios sonhos se me erguem em coisas, não para me substituírem a realidade, mas para se me confessarem seus pares em eu os não querer, em me surgirem de fora, como o elétrico que dá a volta na curva extrema da rua, ou a voz do apregoador noturno, de não sei que coisa, que se destaca, toada árabe, como um repuxo súbito, da monotonia do entardecer![...]
Do livro do Desassossego
Bernardo Soares
(Fernando Pessoa)
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Excerto do nº 3 - Livro do Desassossego -
[...] Nessas horas lentas e vazias, sobe-me da alma à mente uma
tristeza de todo o ser, a amargura de tudo ser ao mesmo tempo uma
sensação minha e uma coisa externa, que não está em meu poder alterar.
Ah, quantas vezes os meus próprios sonhos se me erguem em coisas, não
para me substituírem a realidade, mas para se me confessarem seus pares
em eu os não querer, em me surgirem de
fora, como o elétrico que dá a volta na curva extrema da rua, ou a voz
do apregoador noturno, de não sei que coisa, que se destaca, toada
árabe, como um repuxo súbito, da monotonia do entardecer![...]
Do Livro do Desassossego
Bernardo Soares
(Fernando Pessoa)
Do Livro do Desassossego
Bernardo Soares
(Fernando Pessoa)
sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior.
(Bernardo Soares)
(Heterônimo de Fernando Pessoa)
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