A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

Seja bem-vindo. Hoje é
Deixe seu comentário, será muito bem-vindo, os poetas agradecem.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Noturno à janela



certas noites
a névoa invade
tão densa tudo
que impede ver
o outro lado da baía


não apenas
a linha do horizonte
ou o corpo das montanhas
ou mesmo o espaço de mar
e as ilhas interpostas


que toda noite
quase ocultos
já tendem a se tornar
mera hipótese
salvo a brisa
e o que nela há
de memória e suposição


mas sobretudo
os faróis
suas luzes intermitentes
ora pontuações do silêncio
ora suturas de uma arquitetura
sem limites sem traves
volumes insuspeitos opacos
sim um tudo desmesuradamente nada


Júlio Castañon Guimarães
(do livro Matéria e paisagem, 1998)
(Minas Gerais -1951)

2 comentários:

Sonhadora disse...

Lindissimo poema
gostei muito.

beijinhos
sonhadora

Fernando Campanella disse...

Sim, lindo poema realmente, Mada. Até me inspirou, estou ainda trabalhando naquele poema que te enviei. Bjos, my sister in soul.