A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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domingo, 18 de julho de 2010

O mecanismo do vento


Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo

é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.

Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;

e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.

Vieira Calado
(Portugal)

2 comentários:

Vieira Calado disse...

Surpresa!

Um poema meu,

aqui.

Muito obrigado.

Mas, desculpe...

Podia ter dito qualquer coisa.

Os autores sempre agradecem.

Saudações poéticas

rascunhomusical disse...

Encontro aqui um espaço agradável de reflexão, poesia e música. Abraço! Josué