A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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domingo, 19 de abril de 2009

MAGNÓLIAS



1


Tome-as nas mãos
e saberás por que magnólias
são fatais.


2


Se rasgares a pétala,
notarás fissuras no tecido.
Lâmina carnosa, cristal dissolvido em nuvem.
Nas nervuras há poros do mais puro branco.
Alvíssimo alvo.
Verás contudo que é Siena a cor de fundo.
Dessas calcinadas terras se colorem
as flores mortas.


3


À noite secretam perfumes.
Polinizam o ar.
Elas, ventres fecundos.


4


Perdidas as pétalas, resta íntimo caroço.
Sementes vermelhas brotam súbito,
lisas, alongadas.
Fava incendiada, rubra é a cor que requeres
para o mistério de seu viço alvar.

5


Depois da chuva alguma água restará no tenro cálice.
Mas não muita.
se contemplando te detiveres,
sucumbirás à excessiva luz.
Evita navegar na clausura desse mar.


Antonio Fernando De Franceschi
In: Tarde Revelada Poemas

*
(In memory of my esteemed mother-in-law.mm)

3 comentários:

maria dorinha disse...

Belíssimo poema.

Sonia Schmorantz disse...

“Nada há de mais poderoso que uma idéia
Que chegou no tempo certo.”
Victor Hugo

Tenha uma semana maravilhosa.
Abraço

Sônia

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Entre o que vejo e o que digo,
entre o que digo e o que calo,
entre o que calo e o que sonho,
entre o que sonho e o que esqueço,
a poesia.
Desliza entre o sim e o não:
Diz o que calo,
cala o que digo,
sonha o que esqueço.
Não é um dizer: é um fazer.
É um fazer que é um dizer.
A poesia se diz e se ouve: é real.
E, apenas digo é real, se dissipa.
Será assim mais real?

(Octávio Paz – México)

Desejo uma semana iluminada, com muita paz e amor.
Do amigo
Eduardo Poisl