A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um poema de Graça Pires (Portugal)


Um exílio começa no ferrete dos lábios
queimando o ébano dos pianos
que fazem gemer o prelúdio das mãos.
A boca, com sílabas de som tenso,
inventa os murmúrios colados ao archote
das preces que esconjuram a morte.
É invisível, como o uivo dos lobos em noites imensas,
a tormenta que nos intimida
quando, sobre o chão, nenhuma luz cicatriza
a exatidão do tempo e, como náufragos,
nos deslumbramos com a proximidade do abismo.

Graça Pires
In: 'A incidência da luz' Março 2011-

2 comentários:

Graça Pires disse...

Mais uma vez aqui me encontro e lhe agradeço.
Um beijo.

Maria Madalena disse...

Nada a agradecer, quem agradece somos nós, eternos admiradores de sua obra.
Mais uma vez, gratíssima por tão belo presente, estou postando em doses homeopáticas, pois sei que ele não encontra-se disponível no Brasil.
Um grande abraço, beijos.