A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

''Ano novo''





A quem direi dessa nova
manhã que tinge o horizonte
de uma cor que se renova?
Ao que em toda a caminhada
teve a alma crucificada
e, já sem alma, resiste,
embora não tenha nada,
além do sonho, que é menos
do que nada?
Ou, antes, ao que sentia
estar o mundo já morto
quando mal amanhecia?
Ao pária, ao triste, ao mendigo?
Dá-la a todos? A ninguém,
para que morra comigo
e todos acabem sem?
Ah, não saber a quem dá-la,
não saber a quem levá-la,
mensagem, flâmula, palma,
um sim nítido que fosse
até o sonho, até a alma
já perdida
no que há de morte na vida!  



Emílio Moura
In: Itinerário Poético
Noite Maior 

2 comentários:

Graça Pires disse...

"Dá-la a todos?" Direi que sim...
É um poema muito belo e sensível.
Beijos.

Joaquim do Carmo (Quicas) disse...

Feliz Ano Novo, Maria Madalena! Beijinho