A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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terça-feira, 23 de setembro de 2008

'ODE ÀS MANHÃS TRANSFIGURADAS'




Sim,
Outras são as manhãs
Após as chuvas
Em doces gotas de amêndoas
E emblemáticos suores de uvas....

Manhãs em hortas regadas,
Frescor de sumos, feiras livres
-‘Salsa, sálvia, rosmaninho, tomilho’ -
Respingos de amor em refrões medievais...

Sedosas manhãs molhadas, especiarias mais raras,
Cravos da Índia, orquídeas do Nepal...

Poção mágica, ervas medicinais....

Cromáticas manhãs lavadas:
Verde- ingás, vermelho-pintangas
E tantas mais cores que bailam
No pomar de líquidas miçangas...

Límpidas crisálidas, abelhas em trânsito,
Lavandas....

Pássaros cantantes...

E ainda turíbulos, aromas de incenso,
Antigas lágrimas de santas semanas
Nos missais....

Bendito, o fruto de vosso ventre,
Manhãs transfiguradas,
A germinar, a se abrir
No úmido jardim das palavras.


(Fernando Campanella, 17.09.2008)

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