A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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sexta-feira, 25 de julho de 2008




«Nunca devemos amar em silêncio...Um amor feliz precisa do turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjectivos, de elogios, do ruído das banalidades.»


«Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos (…)

Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.»
(…)


Trechos do livro 'Não te deixarei morrer David Crockett'
Miguel Sousa Tavares (2001)

segunda-feira, 18 de junho de 2007





[...]Ela própria escreveu alguns poemas sobre a noite, dois dos quais até com o mesmo título: Noite. Porém, o meu preferido é um poema chamado Luar, onde está explicado e resumido, se assim posso dizer, todo este familiar fascínio pela noite. É assim:

«Toma-me ó noite em teus jardins suspensos
Em teus pátios de luar e de silêncio
Em teus adros de vento e de vazio
Noite
Bagdad debruçada no teu rio
País dos brilhos e do esquecimento
Com o teu rumor de de cedros e o teu lento
Círculo azul do tempo»


Com uma infância assim, não admira que eu me tenha tornado também um ser nocturno incorrigível. Há pelo menos vinte anos que não me deito antes das três da manhã e que não adormeço sem ler um livro. Viver comigo não é fácil, até porque eu jamais fui capaz de responder à má lógica das pergntas: «Mas o que é que tu ficas a fazer de noite?».
Realmente, não sei ao certo. Suponho que o facto de ter aprendido a distinguir todos os ruídos da noite, de conhecer os sons dos animais nocturnos, de me ter tornado viciado no silêncio da noite, de saber localizar as estrelas do céu, não será resposta suficiente. Há qualquer coisa mais para além disso, qualquer coisa de indefinível e única. Há um mundo diurno e um mundo nocturno. Este é o reino da luz e das sombras, um mundo de silêncio onde cada som tem um sentido, uma utilidade e por onde se sente deslizar esse «lento círculo azul do tempo».
De noite morre-se mais devagar."


Excerto de 'De noite'
- Miguel Sousa Tavares
em “Não te deixarei morrer David Crockett"



"(...) E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se acabaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."


Miguel Sousa Tavares
in 'Não te deixarei morrer, David Crockett'


"(...) And again I belive that we don't really lose anything that is important. We only deceive ourselves, thinking that we own things, the instants, the others. Along with me go all the dead people I loved, every friend that step away, every happy days meanwhile gone. I didn't lose anything, only the illusion that everything could be mine forever."

Miguel Sousa Tavares