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sexta-feira, 27 de setembro de 2013
''RETROVIAGEM''
Adiada a chegada
o mar é só vertigem
o porto está distante.
A noite nos oceanos
é uma tragédia de negrumes
onde se perdem
os homens ávidos de idílios
entre cetáceos ressabiados
e atlânticas saudades.
A estrela que me acompanha
(ou a persigo, em solitária romaria?)
restabelece o ancoradouro
que precocemente fugiu
das garras tênues
de um viandante inconcluso.
Mais inquieta é a esperança
se nela não navego
ou galopam outros sonhos.
A geografia dessas águas
fabrica desafios, enquanto no rosto
mareja o sacrifício da espera.
Ronaldo Cagiano
De Canção dentro da noite
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Motivo

No coração
a palavra rumina
a indignidade do chumbo
que escurece as manhãs.
Com suas garras de luz
os versos que vingam
no deserto interior
anunciam o oásis
onde a linguagem sacia
a sede de sonhos.
Na manhã dourada
que se anuncia
entre um vento e outro
as estrelas mortas
ressucitarão na obscuridade da alma
reverberando um farol de mel
contra as varizes do desencanto
sepultando o latifúndio as noites.
Eis o poema
ponte dialética
entre a sintaxe do abismo
e a gramática dos silêncios.
Ronaldo Cagiano
in Suplemento Literário de Minas Gerais
a palavra rumina
a indignidade do chumbo
que escurece as manhãs.
Com suas garras de luz
os versos que vingam
no deserto interior
anunciam o oásis
onde a linguagem sacia
a sede de sonhos.
Na manhã dourada
que se anuncia
entre um vento e outro
as estrelas mortas
ressucitarão na obscuridade da alma
reverberando um farol de mel
contra as varizes do desencanto
sepultando o latifúndio as noites.
Eis o poema
ponte dialética
entre a sintaxe do abismo
e a gramática dos silêncios.
Ronaldo Cagiano
in Suplemento Literário de Minas Gerais
quinta-feira, 25 de março de 2010
Retroviagem

Adiada a chegada
o mar é só vertigem
o porto está distante.
A noite nos oceanos
é uma tragédia de negrumes
onde se perdem
os homens ávidos de idílios
entre cetáceos ressabiados
e atlânticas saudades.
A estrela que me acompanha
(ou a persigo, em solitária romaria?)
restabelece o ancoradouro
que precocemente fugiu
das garras tênues
de um viandante inconcluso.
Mais inquieta é a esperança
se nela não navego
ou galopam outros sonhos.
A geografia dessas águas
fabrica desafios, enquanto no rosto
mareja o sacrifício da espera.
Ronaldo Cagiano
(Cataguases,MG, 15 de abril de 1961)
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