A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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domingo, 1 de julho de 2007

'ORAÇÃO DA GRATIDÃO'




Agradeço-te Senhor!
Por tudo que me dás,pelo ar, pelo pão,pela Paz.
Quero agradecer-te pela beleza que meus olhos vêem no altar da natureza, pela ave ligeira que voa fagueira no céu cor de anil, e pelas folhas verdes em tonalidades mil.

No entanto,diante de minha visão, eu te formulo um oração pelos que não podem enxergar.
Deixa-me Senhor, por eles orar
Porque sei que depois desta vida, depois desta lida de prova e expiação, eles também, enxergarão.

Muito obrigado Senhor, pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, A melodia do vento nos ramos do salgueiro, As lágrimas que choram nos olhos do mundo inteiro, E a voz melancólica do boiadeiro.
Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar...
As melodias dos imortais que a gente ouve uma vez e não esquece jamais.
Pela minha faculdade de ouvir eu te quero pedir pelos que não podem ouvir.

Muito obrigado Senhor,pela minha voz.
E também pela voz que canta,
Pela voz que ama,
Pela voz de ternura
Pela voz que liberta da amargura.
Pela voz da consolação.
Mas diante desta melodia,
Eu quero pedir-te pelos que sofrem de afasia,
pelos que não cantam de noite,
pelo que não falam de dia.

Muito obrigado Senhor, pelas minhas mãos.
Mas também pelas mãos que tecem, que amam, que lavam,
Que aram,que semeiam, que colhem.
Pelas mãos da caridade,
Pelas mãos da solidariedade,
Pelas mãos do amor,
Mãos que escrevem cartas, que psicografam,
Mãos que embalam no seio, o corpo de um filho alheio.

Muito obrigado Senhor, pelos meus pés,
Pela possibilidade de caminhar.
Diante de um corpo perfeito, deixa-me louvar
Pelos que estão num leito de dor,
Paralíticos, raquíticos,
Alquebrados,amputados,marcados, infelizes,desgraçados.
Deixa-me por eles orar,
Porque sei, que na outra encarnação, eles também bailarão.

Obrigado Senhor, pelo meu lar,
É tão importante ter um lar.
Mesmo que seja uma tapera,
Um casebre na favela,
Um ninho, uma mansão do caminho.
Um bangalô, um apartamento duplex,
Seja lá o que for.
Mas o importante que dentro dele
Exista a figura do amor.
Amor de pai ou de mãe, de mulher, de marido
De tio, de tia
De um amigo, de um irmão,
Ou mesmo de um cão.
O que importa é que seja amor,
É tão terrível viver na solidão!
* * * Mas se eu não tiver ninguém,
Ninguém para me escutar,
Nem uma cama para me deitar,
Nem mesmo um lar.
Eu terei a ti Senhor,
Muito obrigado pela minha vida que é bela sentida,
Porque tenho a Ti,
E porque nasci,
Muito obrigado Senhor pela crença que me faz resistir.
Por tudo que me deste,que me dás,
Muito obrigado Senhor.


Psicografia:
Divaldo Pereira Franco

'EU QUERIA'



Senhor!
Eu gostaria de servir,
Gostaria de dar o meu contributo
em favor de um mundo melhor. Gostaria de ser grande e nobre,
para que a dor batesse em retirada da Terra.
Eu gostaria de ser como uma Via-láctea de estrelas,
Para que as noites da Terra fossem mais belas!
Mas ante a minha pequenez, Senhor?!
Não podendo, então ser uma Via-láctea,
deixa-me ser um pirilampo na noite escura,
Iluminando a amargura
de quem vive na escuridão.

Eu queria ser como a chuva generosa,
que caísse sobre a terra porosa
e reverdecesse o chão.
Mas, se eu não o conseguir,
eu te venho pedir
para ser o copo de água fria,
matando a sede, a agonia,
de alguém que está na desesperação.

Eu queria ser como um jardim de flores
de todas as cores,
para embelezar a Terra,
mas, na pobreza que minha alma encerra,
se eu não puder ser um jardim,
deixa-me ser uma flor solitária
na rocha colocada,
para dar beleza
e dignificar a natureza.

Eu queria ser um trigal maduro,
para repletar a mesa
da Humanidade com o pão!
Mas se eu não o puder,
aqui estou a rogar
para ser um grão
que, caído no chão,
se transforme num milhão
e atenda à fome inteira da multidão!

Senhor!
Eu gostaria de ser a montanha altaneira,
donde se tivesse a visão da Terra inteira,
mas, como nunca o hei de conseguir,
aqui estou a pedir
para ser uma pedra
pavimentando o caminho por onde seguem os heróis,
ou uma escada
para ajudar a subida dos homens.
Mas, se eu não o lograr,
deixa-me ser o primeiro degrau ...

Eu queria, sim
ser poeta,
orador,
esteta,
artista,
prosador,
para cantar a magia,
a poesia,
a beleza da Tua Mensagem
de eterna pujança!
Mas, como me faltam o estro,
a palavra,
a tinta,
a empatia,
deixa-me, Senhor,
ficar à sombra de uma árvore
no caminho,
para quando passe alguém
de mansinho,
eu lhe diga:
- “Olá, meu amigo!”
E ele, olhando-me,
Possa perguntar quem sou
E eu lhe responder, tranqüilo: “Sou teu irmão.
Dá-me tua mão.
Irei contigo...”

Ó Senhor!
Muito obrigado,
porque nasci,
porque creio em Ti.
Muito obrigado!


Poesia recitada pelo orador Espirita DIVALDO PEREIRA FRANCO que tive o privilégio de ouvir, no dia 29/06/2.007 na Sogipa/PA/RGS