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sexta-feira, 12 de setembro de 2014
TEMPO DE ESQUECER
Sabes que sou como um rio abandonado
no sedento leito do esquecimento,
e a tua vã lembrança tão unido
como a água ao seu céu refletido;
Sabes que sou como o tempo desfolhado
na mão final do que foi perdido
e, como um horizonte proibido,
me envolves o sonho vigilante;
Sabes que sou como o ar, destinado
ao voo de tuas aves, som ferido
surdidor rouxinol e enamorado:
Sobre este coração crepuscular
e por turvas marés assaltado,
tornas-te nuvem voando para o esquecimento.
Eduardo Carranza
IMAGEM QUASE PERDIDA
És como a luz alta e delgada.
Como o vento és clara sem o saber.
Vacila tua atitude como a tarde
suavemente inclinada sobre o mundo
És feita de sonhos esquecidos
e te esqueço logo, como a um sonho;
meu coração te busca como a fumaça
busca a altura e nela morre.
Como uma trepida flor te leva o dia
Presa entre seus lábios. És alta,
azul, delgada e reta como um silvo.
Recordo-te, de imediato, como a um sonho.
Eduardo Carranza
In: Antologia Poética
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
''CANÇÃO''
Passa o vento de outono
derrubando a tarde:
caem torres douradas,
folhas azuis caem.
E passa o tempo louco
derrubando os sonhos:
caem torres de amor,
trêmulas folhas caem.
No vazio cai,
sem fim, meu coração.
Nada pode salvar-me.
Deus sabe que estou morto.
Sobre mim passa um rio
de esquecimento sem remédio.
Acima cruzam flores.
Sei que ninguém me ouve.
Eduardo Carranza
In: Antologia Poética
derrubando a tarde:
caem torres douradas,
folhas azuis caem.
E passa o tempo louco
derrubando os sonhos:
caem torres de amor,
trêmulas folhas caem.
No vazio cai,
sem fim, meu coração.
Nada pode salvar-me.
Deus sabe que estou morto.
Sobre mim passa um rio
de esquecimento sem remédio.
Acima cruzam flores.
Sei que ninguém me ouve.
Eduardo Carranza
In: Antologia Poética
quinta-feira, 4 de abril de 2013
-Eduardo Carrnza -
De tudo aquilo restou-me um esquecimento
como um perfume transparente e vago.E assim posso dizer que o respiro
como a um perfume.
De tudo aquilo restou-me um vazio
como um verso, de súbito, esquecido.
E assim talvez de repente o recorde
como a uns versos.
De tudo aquilo restou-me uma lua
secreta, lentamente evaporada.
E assim é possível que uma tarde volte
como a lua.
De tudo aquilo restaram-me sonhos,
sonhos, sonhos, que o tempo esfuma
E já não sei se aquilo foi sequer
como os sonhos.
Eduardo Carranza
In: Antologia Poética
'TEMPO DE ESQUECER'
Sabes que sou como um rio abandonado
no sedento leito do esquecimento,
e a tua vã lembrança tão unido
como a água ao seu céu refletido;
Sabes que sou como o tempo desfolhado
na mão final do que foi perdido
e, como um horizonte proibido,
me envolves o sonho vigilante;
Sabes que sou como o ar, destinado
ao voo de tuas aves, som ferido
surdidor rouxinol e enamorado:
Sobre este coração crepuscular
e por turvas marés assaltado,
tornas-te nuvem voando para o esquecimento.
Eduardo Carranza
In: Antologia Poética
segunda-feira, 4 de junho de 2012
'SONETO ATRAVESSADO POR UM RIO'

A Manolo Alcántara
Tarde tão bela para estar ausente
e chorar um amor infortunado,
empalidecendo entre o desfolhado
de um claro rio ao som da corrente.
Ainda que aberta na mão do presente,
tarde que já parece do passado
por seu aroma de tempo reprimido
e sua atitude de pensativa fronte.
Tarde pura, Deus meu, como aquelas
em que me surpreendiam as estrelas
triste do céu azul e o vento triste.
Dá-me outra vez, Deus meu, a tristeza,
e a ausência, e o rio que atravessa,
já que esta tarde trêmula me deste.
Eduardo Carranza
In: Antologia Poética
domingo, 9 de maio de 2010
O CORAÇÃO E O MAR

A Pepe Rumeu de Armas
Senhor, já estamos sós meu coração e o mar.
Antonio Machado
1. Escreve o mar
Até a folha em que escrevo chega o mar
com seu pulsar cheio de naufrágios
como meu coração.
E na folha, da mesma forma que na areia,
escreve seu segredo trêmulo
e sua canção.
Banha de nácar e cristal meu sonho
diurno e, se calo, escreve em meu silêncio
seu coração.
(Como em outro planeta canta um pássaro.
Quase humana, respira a manhã
de jasmim e limão.
Talvez sonhada ou recordada voa
como uma ferida azul a mariposa
com sua ilusão).
Em uma onda vem todo o mar
e ao pé deste poema se desfaz
como uma rosa que cantara.
Onde é mais só o mar
e mais largo e mais fundo e terno e feroz
é no meu coração.
Eduardo Carranza
'TEMPO DE ESQUECER'

Sabes que sou como um rio abandonado
no sedento leito do esquecimento,
e a tua vã lembrança tão unido
como a água ao seu céu refletido;
Sabes que sou como o tempo desfolhado
na mão final do que foi perdido
e, como um horizonte proibido,
me envolves o sonho vigilante;
Sabes que sou como o ar, destinado
ao vôo de tuas aves, som ferido
surdidor rouxinol e enamorado:
Sobre este coração crepuscular
e por turvas marés assaltado,
tornas-te nuvem voando para o esquecimento.
*Eduardo Carranza
In: Antologia Poética
*Nasceu em Apiay, nos Lhanos Orientais da Colômbia, a 23 de Julho de 1913.
Morreu no dia 13 de fevereiro de 1985 em Bogotá.-Colômbia.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Escreve o mar

Até a folha em que escrevo chega o mar
com seu pulsar cheio de naufrágios
como meu coração.
E na folha, da mesma forma que na areia,
escreve seu segredo trêmulo
e sua canção.
Banha de nácar e cristal meu sonho
diurno e, se calo, escreve em meu silêncio
seu coração.
(Como em outro planeta canta um pássaro.
Quase humana, respira a manhã
de jasmim e limão.
Talvez sonhada ou recordada voa
como uma ferida azul a mariposa
com sua ilusão).
Em uma onda vem todo o mar
e ao pé deste poema se desfaz
como uma rosa que cantara.
Onde é mais só o mar
e mais largo e mais fundo e terno e feroz
é no meu coração.
Eduardo Carranza
(O coração e o Mar 1)
In: Antologia Poética
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
'AZUL DE TI'

Pensar en ti es azul, como ir vagando
por un bosque dorado al mediodía:
nacen jardines en el habla mía
y con mis nubes por tus sueños ando.
Nos une y nos separa un aire blando,
una distancia de melancolía;
yo alzo los brazos de mi poesía,
azul de ti, dolido y esperando.
Es como un horizonte de violines
o un tibio sufrimiento de jazmines
pensar en ti, de azul temperamento.
El mundo se me vuelve cristalino,
y te miro, entre lámparas de trino,
azul domingo de mi pensamiento.
Eduardo Carranza
terça-feira, 10 de junho de 2008
"Es melancolía"

Te llamarás silencio en adelante.
Y el sitio que ocupabas en el aire
se llamará melancolía.
Escribiré en el vino rojo un nombre:
el tu nombre que estuvo junto a mi alma
sonriendo entre violetas.
Ahora miro largamente, absorto,
esta mano que anduvo por tu rostro,
que soñó junto a ti.
Esta mano lejana, de otro mundo
que conoció una rosa y otra rosa,
y el tibio, el lento nácar.
Un día iré a buscarme, iré a buscar
mi fantasma sediento entre los pinos
y la palabra amor.
Te llamarás silencio en adelante.
Lo escribo con la mano que aquel día
iba contigo entre los pinos.
Eduardo Carranza
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