A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

Seja bem-vindo. Hoje é
Deixe seu comentário, será muito bem-vindo, os poetas agradecem.
Mostrando postagens com marcador Eduardo Carranza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eduardo Carranza. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

TEMPO DE ESQUECER


Sabes que sou como um rio abandonado
no sedento leito do esquecimento,
e a tua vã lembrança tão unido
como a água ao seu céu refletido;

Sabes que sou como o tempo desfolhado
na mão final do que foi perdido
e, como um horizonte proibido,
me envolves o sonho vigilante;

Sabes que sou como o ar, destinado
ao voo de tuas aves, som ferido
surdidor rouxinol e enamorado:

Sobre este coração crepuscular
e por turvas marés assaltado,
tornas-te nuvem voando para o esquecimento.

Eduardo Carranza

IMAGEM QUASE PERDIDA


És como a luz alta e delgada.
Como o vento és clara sem o saber.
Vacila tua atitude como a tarde
suavemente inclinada sobre o mundo

És feita de sonhos esquecidos
e te esqueço logo, como a um sonho;
meu coração te busca como a fumaça
busca a altura e nela morre.

Como uma trepida flor te leva o dia
Presa entre seus lábios. És alta,
azul, delgada e reta como um silvo.
Recordo-te, de imediato, como a um sonho.

Eduardo Carranza
In: Antologia Poética

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

''CANÇÃO''

Passa o vento de outono
derrubando a tarde:
caem torres douradas,
folhas azuis caem.

E passa o tempo louco
derrubando os sonhos:
caem torres de amor,
trêmulas folhas caem.

No vazio cai,
sem fim, meu coração.
Nada pode salvar-me.
Deus sabe que estou morto.

Sobre mim passa um rio
de esquecimento sem remédio.
Acima cruzam flores.
Sei que ninguém me ouve.


Eduardo Carranza
In: Antologia Poética

quinta-feira, 4 de abril de 2013

-Eduardo Carrnza -





De tudo aquilo restou-me um esquecimento
como um perfume transparente e vago.
E assim posso dizer que o respiro
como a um perfume.

De tudo aquilo restou-me um vazio
como um verso, de súbito, esquecido.
E assim talvez de repente o recorde
como a uns versos.

De tudo aquilo restou-me uma lua
secreta, lentamente evaporada.
E assim é possível que uma tarde volte
como a lua.

De tudo aquilo restaram-me sonhos,
sonhos, sonhos, que o tempo esfuma
E já não sei se aquilo foi sequer
como os sonhos.


Eduardo Carranza
In: Antologia Poética

'TEMPO DE ESQUECER'


Sabes que sou como um rio abandonado
no sedento leito do esquecimento,
e a tua vã lembrança tão unido
como a água ao seu céu refletido;


Sabes que sou como o tempo desfolhado
na mão final do que foi perdido
e, como um horizonte proibido,
me envolves o sonho vigilante;


Sabes que sou como o ar, destinado
ao voo de tuas aves, som ferido
surdidor rouxinol e enamorado:


Sobre este coração crepuscular
e por turvas marés assaltado,
tornas-te nuvem voando para o esquecimento.


Eduardo Carranza
In: Antologia Poética

segunda-feira, 4 de junho de 2012

'SONETO ATRAVESSADO POR UM RIO'



A Manolo Alcántara

Tarde tão bela para estar ausente
e chorar um amor infortunado,
empalidecendo entre o desfolhado
de um claro rio ao som da corrente.

Ainda que aberta na mão do presente,
tarde que já parece do passado
por seu aroma de tempo reprimido
e sua atitude de pensativa fronte.

Tarde pura, Deus meu, como aquelas
em que me surpreendiam as estrelas
triste do céu azul e o vento triste.

Dá-me outra vez, Deus meu, a tristeza,
e a ausência, e o rio que atravessa,
já que esta tarde trêmula me deste.


Eduardo Carranza
In: Antologia Poética

domingo, 9 de maio de 2010

O CORAÇÃO E O MAR



A Pepe Rumeu de Armas

Senhor, já estamos sós meu coração e o mar.
Antonio Machado



1. Escreve o mar

Até a folha em que escrevo chega o mar
com seu pulsar cheio de naufrágios
como meu coração.

E na folha, da mesma forma que na areia,
escreve seu segredo trêmulo
e sua canção.

Banha de nácar e cristal meu sonho
diurno e, se calo, escreve em meu silêncio
seu coração.

(Como em outro planeta canta um pássaro.
Quase humana, respira a manhã
de jasmim e limão.

Talvez sonhada ou recordada voa
como uma ferida azul a mariposa
com sua ilusão).

Em uma onda vem todo o mar
e ao pé deste poema se desfaz
como uma rosa que cantara.

Onde é mais só o mar
e mais largo e mais fundo e terno e feroz
é no meu coração.

Eduardo Carranza

'TEMPO DE ESQUECER'


Sabes que sou como um rio abandonado
no sedento leito do esquecimento,
e a tua vã lembrança tão unido
como a água ao seu céu refletido;


Sabes que sou como o tempo desfolhado
na mão final do que foi perdido
e, como um horizonte proibido,
me envolves o sonho vigilante;


Sabes que sou como o ar, destinado
ao vôo de tuas aves, som ferido
surdidor rouxinol e enamorado:


Sobre este coração crepuscular
e por turvas marés assaltado,
tornas-te nuvem voando para o esquecimento.


*Eduardo Carranza
In: Antologia Poética
*Nasceu em Apiay, nos Lhanos Orientais da Colômbia, a 23 de Julho de 1913.
Morreu no dia 13 de fevereiro de 1985 em Bogotá.-Colômbia.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Escreve o mar


Até a folha em que escrevo chega o mar
com seu pulsar cheio de naufrágios
como meu coração.

E na folha, da mesma forma que na areia,
escreve seu segredo trêmulo
e sua canção.

Banha de nácar e cristal meu sonho
diurno e, se calo, escreve em meu silêncio
seu coração.

(Como em outro planeta canta um pássaro.
Quase humana, respira a manhã
de jasmim e limão.

Talvez sonhada ou recordada voa
como uma ferida azul a mariposa
com sua ilusão).

Em uma onda vem todo o mar
e ao pé deste poema se desfaz
como uma rosa que cantara.

Onde é mais só o mar
e mais largo e mais fundo e terno e feroz
é no meu coração.


Eduardo Carranza
(O coração e o Mar 1)
In: Antologia Poética

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

'AZUL DE TI'



Pensar en ti es azul, como ir vagando
por un bosque dorado al mediodía:
nacen jardines en el habla mía
y con mis nubes por tus sueños ando.

Nos une y nos separa un aire blando,
una distancia de melancolía;
yo alzo los brazos de mi poesía,
azul de ti, dolido y esperando.

Es como un horizonte de violines
o un tibio sufrimiento de jazmines
pensar en ti, de azul temperamento.

El mundo se me vuelve cristalino,
y te miro, entre lámparas de trino,
azul domingo de mi pensamiento.

Eduardo Carranza

terça-feira, 10 de junho de 2008

"Es melancolía"




Te llamarás silencio en adelante.
Y el sitio que ocupabas en el aire
se llamará melancolía.

Escribiré en el vino rojo un nombre:
el tu nombre que estuvo junto a mi alma
sonriendo entre violetas.

Ahora miro largamente, absorto,
esta mano que anduvo por tu rostro,
que soñó junto a ti.

Esta mano lejana, de otro mundo
que conoció una rosa y otra rosa,
y el tibio, el lento nácar.

Un día iré a buscarme, iré a buscar
mi fantasma sediento entre los pinos
y la palabra amor.

Te llamarás silencio en adelante.
Lo escribo con la mano que aquel día
iba contigo entre los pinos.


Eduardo Carranza