A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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domingo, 18 de janeiro de 2009

A TERCEIRA ROSA



Três rosas... A mestria de um amor,
com que me tornas tua companheira.
Três rosas.. A contar-me do penhor
com que teceste a vida, plena, inteira.

Com justa perfeição foste escultor
do mármore, gerado na pedreira;
e de um mosaico de pouco esplendor,
tua régua tracejou obra altaneira.

E nosso peito vibra a um só compasso,
meu porto mais seguro é teu abraço...
Agora sei, meu sonho não foi vão.

A rosa de Saron ouviu-me o pranto
e deu-me a conhecer o doce encanto,
por Ele, posto no teu coração.


Patrícia Neme

terça-feira, 13 de janeiro de 2009



Estamos sós... Embora o ventre e o peito,
à vida oferecessem seu alento.
E fosse o fruto amado e bem aceito...
Fosse o carinho sem comedimento.

Estamos sós.. O que foi tão mal feito,
causamos, nós, tamanho rompimento?
Se nosso coração é amor-perfeito,
que abriga, acolhe, cuida... Sem lamento?

Se os filhos são a bênção do Senhor,
heranças vindas do divino amor...
Adultos... Nos contemplam com frieza?

Por quê já não mais lembram do acalanto,
que deles foi o riso e foi o pranto...
Por quê nos abandonam à tristeza?


Patrícia Neme

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

'NOITES'




Em todo entardecer escuto passos,
na estrada que se achega ao meu portão;
embora haja penumbra, vejo os traços
dos andarilhos... Deus! E quantos são!


Na casa, se assenhoram dos espaços,
percorrem cada palmo do meu chão.
Semblantes - de ventura tão escassos,
contemplam-me... E na dor me envolvo, então.


Porque nos olhos meigos dos meus sonhos,
o amor sulcou caminhos tão tristonhos,
onde apenas saudade floresceu!


À noite, em rito insano de agonia,
unidos, sonhos, eu... e a nostalgia...
Ninamos o que nos restou de teu.


Patricia Neme

terça-feira, 14 de outubro de 2008

'Teimosia'




Se tenho um fio de esperança, um sonho teço,
para abrigar o sofrimento da saudade;
tantas laçadas - já nem sei fim ou começo,
qual se o agora fosse a própria eternidade.

Em cada malha de ilusão sutil, me aqueço,
talvez se acalme esse tormento que me invade;
ponto por ponto, pago sempre um alto preço,
meu fado é rude, sem mercê, sem caridade.

Hora após hora, passa o tempo, vai-se o dia,
a noite agita mil lembranças, me agonia...
Verso e reverso a tricotar, não esmoreço.

Então, de um fio de esperança... Um sonho teço!
No aqui, no agora, ou bem além do que se vê,
em cada ponto estou mais perto de você.


Patricia Neme

terça-feira, 23 de setembro de 2008

domingo, 21 de setembro de 2008

"SONETO DA SAUDADE'



O céu desperta triste, em tom cinzento,
qual lhe fora penoso um novo dia;
aos poucos, verte, em gotas, seu lamento...
Um pranto ensimesmado, de agonia.

Um rouco trovejar, pesado, lento,
parece suplicar por alforria,
num rogo já exangue, sem alento...
A chuva... O cinza... A dor... A nostalgia...

O céu despertou triste... O céu sou eu,
perdida num sonhar que feneceu,
sou prisioneira à espera de mercê.

Sonhando conquistar a liberdade
desta prisão, que existe na saudade...
Saudade, tanta, tanta... De você!

Patrícia Neme


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sábado, 24 de maio de 2008

"Só"




De pronto a névoa apaga o sol, e morre o dia,
sombras tristonhas roubam cor ao entardecer...
Quando partiste... (foste o bem que eu mais queria...)
Anoiteceu, por sempre, a vida em meu viver.

Restaram dor, que o peito, em fúria, cilicia,
conceitos vagos – mal os pude compreender...
Adormeceu o Tempo, envolto em agonia,
tanta saudade... Tanta dor varou-me o ser.

E muito embora já distante no passado,
sou ré, cativa ao jugo desse cruel fado,
luto plangente, dor sem trégua, dor sem dó.

Não há quem dome o Mal que, agudo, me espezinha,
pois ao perder teu doce amor, minha Mãezinha,
eu fiquei só, tão miseravelmente... Só!

Patricia Neme

Recebi este poema de uma poeta amiga, me causou profunda emoção, deixo aqui dedicado a memória, de minha sogra e de minha avó.