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quarta-feira, 23 de maio de 2012
*Um poema de Victor Hugo*
(Paint by Thomas Cole)
Misérrimo montão de vaidades do homem,
Sonhos! que o menor vento e o menor sopro somem
Como se acaba tudo e tudo se dispersa!
O poderio, a dor, a dor na noite imersa,
Cólera, orgulho, amor, tudo, tudo, em resumo,
Não é mais do que pó, não é mais do que fumo!
Para que tanto afã, por que tanta esperança
Se em vão se corre atrás de um bem que não alcança?
Dizei, homens! por que? Por que sempre rugindo
Ameaçais mar e céu? Dir-se-ia, em vós ouvindo
Soprar nesse braseiro aceso de paixões,
No meio do furor das vossas ambições,
Em torno do que a alma abraça, crê e espera,
Que sois feitos de bronze, e entanto sois de cera!
Victor Hugo
(Trad. de Fontoura Xavier)
Misérrimo montão de vaidades do homem,
Sonhos! que o menor vento e o menor sopro somem
Como se acaba tudo e tudo se dispersa!
O poderio, a dor, a dor na noite imersa,
Cólera, orgulho, amor, tudo, tudo, em resumo,
Não é mais do que pó, não é mais do que fumo!
Para que tanto afã, por que tanta esperança
Se em vão se corre atrás de um bem que não alcança?
Dizei, homens! por que? Por que sempre rugindo
Ameaçais mar e céu? Dir-se-ia, em vós ouvindo
Soprar nesse braseiro aceso de paixões,
No meio do furor das vossas ambições,
Em torno do que a alma abraça, crê e espera,
Que sois feitos de bronze, e entanto sois de cera!
Victor Hugo
(Trad. de Fontoura Xavier)
domingo, 2 de setembro de 2007
"A FONTE"

Da espalda de um rochedo, gota a gota
límpida fonte sobre o mar caia,
Mas, ao vê-la tombar em seu regaço:
” O que queres de mim?” O mar dizia.
“Eu sou da tempestade o antro escuro;
“Onde termina o céu aí começo;
“Eu que nos braços toda a terra espreito,
“De ti, tão pobre e vil, de ti careço?…
No tom saudoso do quebrar das águas
Ao mar, serena, a fonte assim murmura:
“A ti, que és grande e forte, a pobre fonte
Vem dar-te o que não tens, dar-te a doçura!”
Victor Hugo -França
"O SEMEADOR"

Não tarda a noite sombria,
Corre a brisa vesperal...
Admiro este fim de dia
Cuja luz ainda alumia
Do trabalho a hora final.
É assim que, no vale umbroso,
Contemplo com emoção
Um pobre velho andrajoso
Que a mancheias, sem repouso,
Semeia o bendito grão...
Sua esquálida figura
Avulta ao longe, e é de ver
Como essa boa criatura,
Desde cedo à noite escura,
Sabe oo tempo despender...
Num vaivém, colhe a semente,
Reabre a mão, a semear...
E, estranho a esse augusto ambiente,
Eu, como obscuro assistente,
Entro agora a meditar...
Eis que uma estrela aparece
(Ainda se ouve algum rumor...),
Mais outra...Outra mais...Parece
Que vai surgindo a áurea messe
Ao gesto do semeador...
Victor Hugo -França-
Tradução de C. Tavares Basto
- In Poemas para Juventude
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