A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

Seja bem-vindo. Hoje é
Deixe seu comentário, será muito bem-vindo, os poetas agradecem.
Mostrando postagens com marcador Euclides Bandeira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Euclides Bandeira. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de março de 2009

FALANDO




Em que pensas, magoado rosto,
Todas as tardes, quase ao sol posto
bem rente ao mar?

Em lírios tristes, em sonhos mortos
Quando se iam roteando portos
de um outro mar ...

Quantas saudades – dolentes frautas
Scherzando juntas – dos belos nautas
tendes no olhar!

Hão de esvair-se, nas longas rondas
Diz-me a esperança: virão nas ondas
que vivo a olhar ...

Velas em balde: vossos gajeiros
Morreram todos lá nos nevoeiros
em alto mar,
Bem como aqueles(castigo? Eu cismo ...)
Que sucumbiram num outro abismo
- O negro abismo do vosso olhar ...

Euclides Bandeira
in Velhas Páginas

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ausência




Recresce, arpoante e funda, a saudade cruel.
Corri ela foi meu sol, partiu minha risada!
Cada dia que passa é uma gota de fel
que se me infiltra na alma e a põe envenenada.

Mais larga a ausência, mais a lembrança dourada
resplandece, espertando emoções em tropel:
o riso, o gesto, a voz; boca a boca soldada,
os seus beijos febris que eram de fogo e mel...

Claro perfil de luz, louro encanto irradiando
o revérbero astral de flavescente véu
que dourava o meu sonho e o verso decadente.

Onde estás? interrogo. E a mágoa cresce quando
sinto tudo em silêncio em torno. .. O próprio céu
misterioso e azul, como os olhos da Ausente...


Euclides Bandeira
(1877-1948)
Paraná