A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

Seja bem-vindo. Hoje é
Deixe seu comentário, será muito bem-vindo, os poetas agradecem.
Mostrando postagens com marcador Ymah Théres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ymah Théres. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de junho de 2012

' Acalanto'


(John William Waterhouse.)

As cordas deste banjo,
tangê-las, uma a uma, num cantar de ninho
de pétalas tecido, rocejando a linho,
desatando em mornos braços o acalanto,
quisera.

O sopro de um arcanjo
no ar dormido, um ruflar tenuíssimo de asas,
macieza de penas - penas de meus cantos -
voejando em rodopios por ruas e campos,
pudera

ir velar-te onde estejas com teu riso claro
acendendo-me as noites de narciso e enfaro.


Ymah Théres
(Lima Duarte - Minas Gerais)
(THÉRES, 1991)

terça-feira, 29 de maio de 2012

''Poema''


De resto na ventania
sumiram sonhos. É a vida
não vivida só metade
no rosto metade amarga
que se escaveira de ruga
papel crepom e mais nada.

Vivi de sonho meu passo
que andei sozinha perdeu-se
desapontado vencido e não
houve braço amigo nem
carinho nem palavra
nem calor que fosse abrigo:
de resto na ventania
sumiram sonhos. É a vida.

Ymah Théres
(THÉRES, 1991, p. 33)

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

"FUGAZES"



Sobre a alvura e o vazio da página
voejam idéias e anjos.


Há que puxá-los pelas asas rápidas,
que não se rompa o fio da candura.
Cuidado com o cetim da vestimenta
e o arisco vaga-lume das espáduas.


E há que entretê-los - que não se extraviem
ou se desfaçam a algum ledo engano.
Há que agarrá-los pelas mãos de nuvens,
aprisioná-los nesse escasso armário.


Asas abertas sobre brancas folhas,
voam anjos de túnicas fugazes
trançando em dedos frágeis alguns fios
da vasta cabeleira das palavras.


Ymah Théres
Tela by Domenichino