A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

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terça-feira, 22 de junho de 2010

POEMA

O sol ao pôr-do-sol (triste soslaio!)…o arroio
Em pedras estendido, em seus soluços
Desmaia o céu d’estrelas arenoso
E o lago anila seus lençóis d’espelho…
Era a Ilha do Sol, sempre florida
Ferrete-azul, o céu, brando o ar pureza
E as vias-lácteas sendas odorantes
Alvas, tão alvas!… Sonoros mares, a onda
d’esmeralda
Pelo areal rolando luminosa…
As velas todas-chamas aclaram todo o ar.

Sousândrade

*Joaquim de Sousa Andrade nasceu na Vila dos Guimarães no Maranhão (consta numa biografia que nasceu em Alcântara, também no Maranhão) no dia 9 de julho de 1832. Formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris, onde também estudou Engenharia. Permaneceu na Europa por muitos anos, viajou muito e conheceu também as repúblicas latino-americanas.Fixou residencia nos Estados Unidos da América.Ao final de sua vida, no Maranhão, incompreendido e só, tido maldosamente como louco, morre só e na mais completa pobreza.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

'BORBOLETA E RAIO DO SOL'



Da selva frondosa
Na sombra acordou
Gentil pousalousa
Centelha, voou.

E as aves trinaram
E a brisa correu
E as ondas rolaram
De azul como céu:

Que doce harmonia!
Que amena soidão
Raiando do dia
A luz! E a visão

Do sol, que aparece
Dentre oiro e rubi,
Dos montes, e desce
Dos vales. Eu vi

Gentil pousalousa
Qual olhos de amor,
Turbada – encantada
No prado e na flor.

Nos bosques, agora,
Na várzea de luz,
No lago de aurora
Que a chama e seduz,

Dos bosques, perdida
No aroma, no amor,
Aos raios erguida
Balança-se a flor...

O aéreo amaranto
Quem viu? – Se perdeu.
Dizei dela o encanto:
Amou e... morreu.

Que sorte minguada!
Que triste existir
Da vida irradiada
De glória e de rir!

Mas – que nos importa
Ser onda ou ser Théos,
Se o mar não aporta
Pra fora dos céus?

Sousândrade
(Paris, 1855)