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terça-feira, 27 de dezembro de 2016
O QUE MAIS QUERO
O QUE MAIS QUERO
Posso fazer o que mais quero.
Mas não faço.
Porque depois
ficava sem mais nada para sonhar.
Vieira Calado
A passagem das horas
A PASSAGEM DAS HORAS
A passagem das horas
o perpassar dos dias
o lento fervilhar do tempo em seus artifícios
de claridade e sombras
trazem-nos a este lugar preciso
de quietude
em ondulações do silêncio e apaziguamento.
É aqui
onde deveremos aprender
os festejos da luz
a sombra do pecado original
dos fascínios
pelo regresso urgente
a nossa casa.
Vieira Calado
em "OS DIAS E AS NOITES",
ed, Litoral 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
''FLORES DE OUTONO''
Agora vou reclinando o corpo
entre a terra e as estrelas.
O espaço é breve
para a brisa do mar
que ainda soa.
E no entanto,
adormeço
no meu sonho,
sereno de harmonias
incendiando o fino pó
da terra
com estas flores violentas,
exíguas, do outono.
Vieira Calado
Portugal
[Arte: Catrin Welz- Stein]
domingo, 18 de julho de 2010
O mecanismo do vento

Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;
e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
Vieira Calado
(Portugal)
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;
e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
Vieira Calado
(Portugal)
quarta-feira, 17 de março de 2010
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