A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

-Rubem Alves-

Seja bem-vindo. Hoje é
Deixe seu comentário, será muito bem-vindo, os poetas agradecem.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

'PREDILEÇÃO'




Amo os gestos estáticos, plasmados
numa atitude lenta de abandono;
certos olhares bêbedos de sono
e a poesia dos muros desbotados...

Amo as nuvens longínquas... o reflexo
na água dos foscos lampiões...as pontes...
a sufocação ríspida das fontes
e as palavras poéticas sem nexo.

Mas, sobretudo, eu amo esses instantes
em que, como dois presos foragidos,
os meus olhos se embrenham, distraídos,
na natureza - como dois amantes...

Onestaldo de Pennafort
In 'Poesia'

'O ÚLTIMO PERFUME'



Foi o passado, foi, que veio
a mim, como um amigo ausente,
só porque ouvi, no ambiente cheio
de um perfume de antigamente,

Aquele Noturno dolente
que punha um susto no teu seio
e que eu ouvia atentamente,
como ora, em êxtase, escutei-o.

Foi o passado, a instante mágoa
da fonte em seu cântico de água
rindo e chorando no jardim...

Foi toda a história de uma vida,
de um lento acorde ressurgida
a um vago aroma de jasmim.

Onestaldo de Pennafort
- Recapitulações - In Poesia

sábado, 7 de julho de 2007

'XV'



Sob o consentimento das estrelas,
nós dois, repletos do silêncio antigo
que os que vivem a amar trazem consigo,
nos amaremos ternamente,pelas

noites de calma e de luar profundo
em que as almas, dos olhos que se abordam,
em gotas de água trêmula transbordam,
como a água que enche o olhar do lago fundo...

E se um dia sentirmos que se finda
o amor, mais triste do que a morte, ainda
tentaremos uma última ternura

para que o nosso amor morra a viver,
como uma nota de órgão que pendura,
como as chamas sonâmbulas que acordam

e ardem mais alto, no ar, para morrer...


Onestaldo de Pennafort
- Interior - In Poesia

'Soneto"I"



Sob o céu tão azul que se espiritualiza,
o jardim vai fechar as pétalas das rosas
como alguém que cerrasse as pálpebras medrosas
para ver o que só no sonho se divisa.

Tudo adormece em torno... E a paisagem, mais lisa
que um esmalte, desfaz-se em sombras vaporosas...
Nascem apenas no ar, vêm das moitas cheirosas
arabescos de sons de flauta, pela brisa...

A sombra desce e abranda as cores... E do luxo
do jardim silencioso, onde as luzes se enfeixam,
subsiste só o esguicho esvelto do repuxo.

E, sob o céu que foge em tons de anoitecer,
fecham-se as flores, como os olhos que se fecham
para ver o que só no sonho podem ver.


Onestaldo de Pennafort
- Interior -in "Poesia

'SONETO DAS DEFINIÇÕES'



Não falarei de coisas, mas de inventos
e de pacientes buscas no esquisito.
Em breve, chegarei à cor do grito
à música das cores e dos ventos.

Multiplicar-me-ei em mil cinzentos
(desta maneira, lúcido, me evito)
e a estes pés cansados de granito
saberei transformar em cataventos.

Daí, o meu desprezo a jogos claros
e nunca comparados ou medidos
como estes meus, ilógicos, mas raros.

Daí também, a enorme divergência
entre os dias e os jogos, divertidos
e feitos de beleza e improcedência.


Carlos Pena Filho

'IDENTIDADE'



Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
Têm maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.

Miguel Torga

'AMIZADE'



A amizade
é o mais belo afluente do amor,
ela ajuda a resolver,
com paciência,
as complicadas equações
da convivência humana.

A amizade
é tão forte quanto o amor,
ela educa o amor,
sinalizando o caminho da coerência,
apontando as veredas da justiça,
controlando os excessos da paixão.
A amizade
é um forte elo que une pessoas
na corrente do querer.
Amizade
é cola divina,
cola demais,
pode doer.

A amizade
tem muito mais juízo que o amor,
quando ele se esgota
e cisma de ir embora,
ela se propõe a ficar,
vigiando o sentimento que sobrou.

Ivone Boechat

'O CONSEHO DAS ÁRVORES'




Sofro, luz dos meus olhos, quando dizes
Que a vida não te alenta nem conforta.
Olha o exemplo das árvores felizes
Dentro da solidão da noite morta.

Que lhes importa a dor, que lhes importa
O drama que há no fundo das raízes?
Não sentem quando o vento os ramos corta
E as folhas leva em várias diretrizes?

Que lhes importa a maldição do outono
E os dedos envolventes da garoa,
Se dão sombra às taperas no abandono?!...

Levanta os braços para o firmamento
E canta a vida porque a vida é boa
Mesmo esmagada pelo sofrimento.

Olegário Mariano

'ITERUM'



Há muito tempo já que eu vou perdendo
os sonhos, um a um, pelo caminho:
- Sangue dum anho ingênuo, cor d'arminho,
de calvário em calvário perecendo.

No alto dum monte, a luz que eu ia vendo,
diante de mim cantando como um ninho,
fria beijou-me o rubro desalinho,
e atrás de mim no escuro foi descendo.

Hoje os olhos se voltam como preces
para as memórias, em que há luas mortas,
e tu, morta, que morta não pareces!

Sobre esta alma de dúvida e agonias
caia a luz desses olhos, dessas portas
onde esperam o sol as almas frias.


Tristão da Cunha

'O CORAÇÃO'



O coração que bate neste peito
e que bate por ti unicamente,
o coração, outrora independente,
hoje humilde, cativo e satisfeito;

quando eu cair, enfim, morto e desfeito,
quando a hora soar lugubremente
do repouso final - tranqüilo e crente
irá sonhar no derradeiro leito.

E, quando um dia fores, comovida,
- branca visão que entre os sepulcros erra-
visitar minha fúnebre guarida,

o coração, que todo em si te encerra,
sentindo-te chegar, mulher querida,
palpitará de amor dentro da terra!

Luiz Guimarães Júnior

'DESOLAÇÃO'




Pela Estrada da Vida ampla - coberta
de um longo velo pesaroso e baço,
hás de encontrá-la muita vez alerta
na longa rota do teu longo passo.

Por caminhos de pedras e sargaço
há de levar-te pela mão incerta,
até que, exausto em Mágoas e Cansaço,
te seja a Vida intérmina e deserta.

Verás em tudo Solidão e Escolhos
e da Tristeza a tétrica figura
estampada trarás nos próprios olhos.

E então, em Mágoas e Pavor clamando,
hás de vê-la passar na Noite escura
a mortalha dos sonhos arrastando.


Mário Pederneiras

'AO CAIR DA TARDE'



Agora nada mais. Tudo silêncio. Tudo,
esses claros jardins com flores de giesta,
esse parque real, esse palácio em festa,
dormindo à sombra de um silêncio surdo e fluido...

Nem rosas, nem luar, nem damas... Não me iludo.
A mocidade aí vem, que ruge e que protesta,
invasora brutal. E a nós que mais nos resta,
senão ceder-lhe a espada e o manto de veludo?

Sim, que nos resta mais? Já não fulge e não arde
o sol! E no covil negro deste abandono,
eu sinto o coração tremer como um covarde!

Para que mais viver, folhas tristes do outono?
Cerra-me os olhos, pois, Senhor. É muito tarde.
São horas de dormir o derradeiro sono.

Emiliano Perneta

'OBRIGADA ,SENHOR'



É doce e maravilhoso, Senhor!
Levantar no início da alvorada
e afinar o canto da alma à
sinfonia da natureza,
louvando e bendizendo
Seu Santo Nome.

É grandioso sentir
o aroma das manhãs,
oferecendo o melhor culto de gratidão,
no silêncio harmonioso
dos cantares do amor.

É lindo
decifrar a intenção das cascatas,
no canto suave,
sobre as pedras que encontram no caminho.

Obrigada, Senhor,
porque a felicidade maior
e o significado profundo da vida,
não se traduzem no conforto ou nas riquezas.
Estão guardados,
como tesouro precioso e infinito,
na presença inconfundível
da Tua paz.

Ivone Boechat

PAZ




Paz,
como as manhãs
resplandecentes,
assanhadas
pra iluminar
caminhos.

Paz,
no silêncio
dos ninhos,
esperança agasalhada
dos espinhos.

Paz,
no balanço da brisa,
fazendo carinhos
na flor.

Paz,
no sorriso da criança,
na noite solteira,
à espera do amor.


Ivone Boechat

CERTEZA



De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...

Fernando Sabino

¡ AVANTI !



Si te postran diez veces te levantas
otras diez, otras cien, otras quinientas ...
No han de ser tus caídas tan violentas
ni tampoco, por ley, han de ser tantas.

Con el hambre genial con que las plantas
asimilan el humus avarientas,
deglutiendo el rencor de las afrentas
Se formaron los santos y las santas.

Obsesión casi asnal, para ser fuerte,
nada más necesita la criatura,
y en cualquier infeliz se me figura
que se rompen las garras de la suerte ...

¡todos los incurables tienen cura
cinco segundos antes de la muerte!


Pedro Bonifácio Palácios
(Almafuerte)Argentina

POR QUE SERÁ?



Ainda que acredite que os ventos
Conduzirão a melhor sorte
Tem dias que a memória percorre
Estradas onde não gostaríamos de estar
E corpo e mente, coração, transportam-se pra lá,
Porque será?
O peito aperta, a fé vacila, o perigo aumenta,
O instinto acende, a lágrima se ausenta,
Vontade de tudo passar,
E mais lento faz o tempo ficar,
Mais presentes às lembranças
Que não queríamos lembrar.
Porque será?
É olhar pro céu, se orientar,
Abrir o peito, se despojar,
Não se importar com os passos,
Mas em ser passagem, ser caminho,
Novos ventos irão soprar.

Tonho França

¡MOLTO PIU AVANTI!



Los que vierten sus lágrimas amantes
Sobre las penas que no son sus penas;
Los que olvidan el son de sus cadenas,
Para limar las de los otros antes;

Los que van por el mundo delirantes,
Repartiendo su amor a manos llenas,
Caen, bajo el peso de sus obras buenas
Sucios, enfermos, trágicos ... ¡sobrantes!

¡Ah! ¡Nunca quieras remediar entuertos!
Nunca sigas impulsos compasivos !
¡Ten los garfios del odio siempre activos,
Y los ojos del Juez siempre despiertos! ...

¡Y al echarte en la caja de los muertos,
Menosprecia los llantos de los vivos!

Pedro Bonifacio Palacios
(Almafuerte)

PIU AVANTI!



No te des por vencido, ni aun vencido,
no te sientas esclavo, ni aun esclavo;
trémulo de pavor, piénsate bravo,
y arremete feroz, ya mal herido.

Ten el tesón del clavo enmohecido,
que ya viejo y ruin vuelve a ser clavo;
no la cobarde intrepidez del pavo
que amaina su plumaje al primer ruido.

Procede como Dios que nunca llora,
o como Lucifer, que nunca reza,
o como el robledal, cuya grandeza
necesita del agua y no la implora ...

¡Que muerda y vocifere vengadora,
ya rodando en el polvo tu cabeza!


Pedro Bonifacio Palacios
(Almafuerte) Argentina

HORA AZUL

Hora azul.No parque, o ocaso
tem sugestões de pintura.
Crescem as sombras e alvura
dos cisnes, no tanque raso.

O velho jardim de luxo
parece um vaso de aromas.
Harmonias policromas
sobem da água do repuxo.

A tarde cai dos espaços
como uma flor, a um arranco
do vento, cai aos pedaços .

E a noite vem... No jardim,
o luar, como um pavão branco,
abre a cauda de marfim.

Onestaldo de Pennafort - In Poesia

"ROMANCE"



Subiam do silêncio do jardim,
para a janela aberta do aposento,
perfumes brancos, de jasmim...
Dentro, num ritmo sonolento,
alguém abria o luar de um noturno nevoento
sobre o teclado de marfim.

Depois, um beijo alto e violento...
E houve por tudo um estremecimento,
uma angústia de fim...
E o beijo, num momento,
misturou-se ao perfume do jasmim
e ao noturno nevoento
que ressoava no aposento...

Hoje, para evocar o que passou, assim
como tudo que passa ao vento,
alguém acorda no teclado de marfim
um noturno nevoento...
E, da janela do aposento
sobre o siêncio do aposento
sobre o silêncio do jardim,
procura aquele beijo violento
num perfume de jasmim...

Onestaldo de Pennafort - In Poesias
Photo -Jamim de Madagascar.

RENÚNCIA



Renunciar. Todo o bem que a vida trouxe,
Toda a expressão do humano sofrimento
A gente esquece assim como se fosse
Um vôo de andorinha em céu nevoento.

Anoiteceu de súbito. Acabou-se
Tudo... A miragem do deslumbramento...
Se a vida que rolou no esquecimento
Era doce, a saudade inda é mais doce.

Sofre de ânimo forte, alma intranqüila!
Resume na lembrança de um momento
Teu amor. Olha a noite: ele cintila.

Que o grande amor, quando a renúncia o invade,
Fica mais puro porque é pensamento,
Fica muito maior porque é saudade.

Olegário Mariano

SALMO DO INSTANTE VI



Imóvel ,puro silêncio,
jaz a serpente esquecida,
o olhar de coisa antiga,
cansada de tão antiga.

De vitríolo e esperança,
serpente do negrilúnio,
destilada de aflição.
Milênios de apuro e pó,
momentos abandonados
pelas comarcas do chão.

A cabeça graciosa
entretecida de olhos,
tão profundos, tão oblíquos
concentrando solidão.
A cabeça coordena
o limite espectral:
seres que se cristalizam
e surgem do abandono.

O corpo, bronze sutil,
fia detritos do sol.
No instante já lendário
-que ela lúcida respira –
urde, a serpente , mistério.

E mistério se vai tecendo,
esquisito e paciente
nas arestas de seus olhos
como uma jóia nativa.

Como uma jóia serpente.

Yttérbio Homem de Siqueira
de Abismo Intacto -1.983

TRÊS PENSAMENTOS IRMANADOS



A MODÉSTIA é de todas as virtudes a mais simples e meiga.

A BONDADE ... esta virtude etérea, que nasce do
âmago do coração,floresce e vive.

O SOFRIMENTO é próprio das almas
puras.


Olympiades Guimarães Corrêa
de Neblina do Tempo -1.996

quinta-feira, 5 de julho de 2007

FESTA DA PAISAGEM

Lá,bem distante,
Onde nasce o regato,
Onde florescem magnólias,
Na paisagem bucólica,
Flores exalam seu perfume...

Em cada canto,
Existe uma flor que desabrocha
Engalanando o ambiente
Com a beleza do seu colorido.
O verde se torna mais verde,
A mata mais densa,
Os galhos se enchem de folhas.
Surgem flores delicadas
Com cores vivas e variadas,
Na época da primavera.

As moradas e os jardins se enriquecem
Com a força renovadora da natura.

Vê-se ,ao longe,
Crianças brincarem
No tapete verde das campinas.
Campinas verdes
Iluminadas pela luz do sol!
E, ao longo dos caminhos,
Os pássaros fazem seus ninhos,
Tornando terno e belo
O espetáculo da natureza!...

Olympiades Guimarães Corrêa
De Neblina do Tempo

POEMA QUE A NOITE ESCREVE



A noite é minha amiga
Porque sou boêmio
Quando ela surge
Com seu manto de veludo,
Surgem
Também
Doces acalantos,
Suaves cantigas de ninar
Como cálidas preces de amor.

Logo,após,nasce a madrugada.
E com ela as serenatas.
Os grupos de boêmios ,
Dedilhando as cordas de seus violões,
Entoam à sua bem-amada
Lindas canções.
Madrugada das serestas.
Oh! Quem me dera
Que fosses eterna
Eterna como tudo que é do espírito
Porque és, para mim,
O mais tranqüilizante dos bálsamos,
Tornando min’alma
Leve qual uma pluma.

Mas nada neste mundo é eterno.
Passam os prazeres,
Os encantos
Os momentos felizes se evanescem
Como se desvanece tudo nesta vida
E é, por isso ,ó noite,
Minha grande amiga,
Que os corações sonhadores
Ficam enamorados de ti...

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do tempo – 1.996

MADRUGADA


(Van-Gogh)

Violões a dedilhar
Baladas simples.
Noites de boemia,
Tudo é música e poesia.

Corações unidos
Em doces serenatas.
Noites que não terminam,
Dias que não amanhecem,
Como se fossem eternas as madrugadas.

Cantores em vigília
Entoam suas canções.
E vozes, em tom dolente,
Embalam corações.

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo 1.996

MOMENTOS



Momentos de nostalgia
Que nos entristecem.

Momentos de saudade
Que nos magoam.

Momentos de alegria
Que embalam a nossa alma.

Ao longe,a musica que toca.

No CÉU,
A lua e sinfonias siderais.

Nas moradas, as janelas iluminadas.

Nos jardins as flores exalam o seu
perfume:
Rosas,cravos e açucenas.

E em cada canto vejo um vulto de
mulher...


Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo -1.996

LONGA ESPERA



Minha vida,
Vida minha,
Tem sido uma longa espera
E esta longa espera
Me acompanha desde menino...

Espera...
Ilusões...
Coração repleto de sonhos,
Sonhos irrealizados
Eis o retrato de minha vida...

E a gente não consegue,
Nem por simples brincadeira,
Aquilo que mais deseja
E vive-se numa procura constante...

O tempo vai passando
E vai-nos levando.
Então se contam
As páginas de um livro
-Que pode ser o da vida –
Registrando-se em cada página,
Como as folhas de um diário,
Apenas apreensões,
Surpresas,
Acompanhadas de alegrias
Que são tão poucas
e de uma longa
e indefinível espera!...

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo-1.996

VAZIO



Há certos dias
Que sinto em min’alma
Um vazio infinito,
Um vazio sem sentido,
Um vazio indefinível,
Vazio dos ventos e procelas,
Vazio que vem de longe
Cuja origem desconheço,
Maior,
Muito maior que a solidão...

Há certos momentos
Que sinto dentro de mim
Um vazio talvez originário das vagas,
Dos grandes mares
E que às vezes me inunda,
Quase me faz soçobrar...

Há certas horas
Que sinto dentro de mim
Um vazio que se agiganta,
Diante do qual me sinto pequenino
E comparo este vazio tão grande
Ao vazio da hora do adeus...

Mas existe,sim,
Um vazio,
Muito maior do que todos os vazios,
E que se alojam no âmago dos corações,
O vazio imenso da saudade!...


Olimpyades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo -1.996

quarta-feira, 4 de julho de 2007

SER MULHER

Ser mulher não é ter nas formas de escultura,
No traço do perfil, no corpo fascinante,
A beleza que um dia o tempo transfigura
E um olhar deslumbrado atrai a cada instante.

Ser mulher não é só ter a graça empolgante,
O feitiço absorvente, a lascívia e a ternura;
Ser mulher não é ter na carne provocante
A volúpia infernal que arrasta e desfigura...

Ser mulher é ter na alma essa imortal beleza
De quem sabe pensar com toda a sutileza
E no próprio ideal rara virtude alcança...

É ter, simples e pura, os sentimentos francos...
E, ainda no fulgor dos seus cabelos brancos,
Sonhar como mulher, sentir como criança!

Carmen Cintra
1905-1933

'SERENIDADE'



Feriram-te, alma simples e iludida.
Sobre os teus lábios dóceis a desgraça
Aos poucos esvaziou a sua taça
E sofreste sem trégua e sem guarida.

Entretanto, à surpresa de quem passa,
Ainda e sempre, conservas para a Vida
A flor de um idealismo, a ingênua graça
De uma grande inocência distraída.

A concha azul envolta na cilada
Das algas más, ferida entre os rochedos,
Rolou nas convulsões do mar profundo;

Mas inda assim, poluída e atormentada,
Ocultando puríssimos segredos,
Guarda o sonho das pérolas no fundo.


Raul de Leoni

'PARA A VERTIGEM!'




Alma, em teu delirante desalinho,
Crês que te moves espontaneamente,
Quando és na Vida um simples redemoinho,
Formado dos encontros da torrente!

Moves-te porque ficas no caminho
Por onde as cousas passam, diariamente.
Não é o Moinho que anda: é a água corrente
Que faz, passando, circular o Moinho...

Por isso, deves sempre conservar-te
Nas confluências do Mundo errante e vário,
Entre forças que vêm de toda parte.

Do contrário, serás, no isolamento,
A espiral, cujo giro imaginário
É apenas a Ilusão do Movimento!...

Raul de Leoni

TUDO SE PERDE NA ROTINA



Todo dia...
As mesmas caras.
As mesmas sombras.
Passos apressados.
Coisas que não mudam
E tudo se acomoda,
Tomando seu lugar...

Personagens representam
No palco da vida
Drama ou comédia...
Tendo o céu por testemunha,
O asfalto como passarela
Por onde desfila a multidão...

Todo dia...
Uma nova ilusão.
Uma nova esperança.
Um ideal frustrado
E a realidade é sempre a mesma...

Uns nascem para a vida,
Outros vivem por viver
E quantos morrem!...
Por quê?

E a vida continua,
Tendo a morte como sua realidade,
Simples e irremediável...

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo 1.996

EVOCAÇÃO



Quando nasce amanhã cheia de graça
E a beleza da mata se irradia
Com o cantar da passarada
Surgem tênues raios de luz.
E o sol, ao longe, desponta.
É a alvorada que surge,
O doce e alegre amanhecer!

Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo-1.996

terça-feira, 3 de julho de 2007

ÚLTIMA PÁGINA



Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia,
Atropela minha hora,
Despreza minha agenda.
Corre prepotente,
A disputar lugar com a ventania.
O tempo envelhece, não se emenda.

Deveria haver algum decreto
Que obrigasse o tempo a desacelerar
E a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta
Dos livros que vão se empilhando,
Das melodias que estão me aguardando,
Das saudades que venho sentindo,
Das verdades que ando mentindo,
Das promessas que venho esquecendo,
Dos impulsos que sigo contendo,
Dos prazeres que chegam partindo,
Dos receios que partem voltando.

Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço a Deus por ter vivido,
Amanhecer e continuar teimando ...


Flora Figueiredo
de Chão de Vento

INVERNO...



Saio à rua em meio a um frio cortante
Últimos dias de um inverno castigante
Ventanias, nevascas, chuvas e céu cinzento
Ainda bem que não tardará esse tormento

Fico sozinha no meio das árvores desfolhadas
Uma paisagem branca de ruas abandonadas
Sinto a solidão congelando meu coração
Sinto falta do calor, das cores e da paixão

Chega logo primavera e traz as suas flores
Desabrocha colorida e desperta os amores
Transforma esse céu cinzento e desbotado
Num céu colorido, alegre e perfumado!

Devolve-me a alegria de sair novamente
De olhar o céu azul e passear livremente
Transforma os risos secos em esfuziantes
Desperta os desejos contidos dos amantes!

Acorda os corações que dormiram congelados
Libera os segredos que ficaram guardados
Traz consigo uma paixão quente para mim
Não suporto mais essa gélida solidão sem fim!

Andrea Lucia

VIDA



Na dúvida, faça.
O risco faz parte.
A graça está
em tentar,
em vez de sentar e assistir;
a vida está
em esticar-se todo para atingir;
o mundo está
no desafio da interrogação.
E por que não?
Entre na festa,
arranque a capa,
morda a maçã.
Desate o cinto
para voar livre pelo amanhã,
ainda que ele seja um labirinto.
Deixe o id rolar
nessa arte viva de arriscar,
cônscio e devoto.
Pois que viver
não é entrar no mar onde dá pé,
mas megulhar com fé no maremoto.

Flora Figueiredo

CANTIGAS DA TOLERÂNCIA



Se Deus suportasse a lama
Só por mal gerando o mal
Ninguém veria uma flor
Saindo do pantanal.

Se lanço condenação
Eis a lição com que esbarro:
O pão que enriquece a mesa
Vem de uma cova de barro.

Alegrias sobre as dores,
Quantas no campo da vida!...
Anota o custo da seda
Ante a lagarta esquecida.

Não reproves alma alguma
Em provações dolorosas!...
Há muita raiz no lodo
Para que o ramo dê rosas.

Demonstrando que a virtude
É sempre amor em ação,
Deus mostra os astros por jóias
No cofre da escuridão.

FERREIRA AGUIAR
Psicografia de: Francisco Cândido Xavier
de "Rosas com Amor"

O DESCANTE DE ARLEQUIM

A lua ainda não nasceu.
A escuridão propícia aos furtos,
Propícia aos furtos, como o meu,
De amores frívolos e curtos,

Estende o manto alcoviteiro
À cuja sombra, se quiseres,
A mais ardente das mulheres
Terá o seu único parceiro.

Ei-lo. Sem glória e sem vintém,
Amando os vinhos e os baralhos,
Eu, nesta veste de retalhos,
Sou tudo quanto te convém.

Não se me dá do teu recato.
Antes, pulido pelo vício,
Sou fácil, acomodatício,
Agora beijo, agora bato,

Que importa? Ao menos o teu ser
Ao meu anélito corruto
Esquecerá por um minuto
O pesadelo de viver.

E eu, vagabundo sem idade,
Contra a moral e contra os códigos,
Dar-te-ei entre os meus braços pródigos
Um momento de eternidade...

Manuel Bandeira

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A CANÇÃO DA VIDA



A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)

Mario Quintana
de Esconderijos do Tempo

ESPERANÇA



Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mario Quintana


Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Mario Quintana
In: A rua dos cata-ventos

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO


Senhor,
Fazei-me um instrumento de vossa paz
Onde houver ódio que eu leve o amor
Onde houver ofensa que eu leve o perdão
Onde houver discórdia que eu leve união
Onde houver duvida que eu leve a fé
Onde houver erro que eu leve a verdade
Onde houver desespero que eu leve a esperança
Onde houver tristeza que eu leve alegria
Onde houver trevas que eu leve a luz

Oh Mestre
Fazei com que eu procure mais
Consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive para a vida eterna...

São Francisco de Assis

PRECE DE CÁRITAS



Deus nosso pai, vós que sois todo poder e bondade.
Dai a força àquele que passa pela provação.
Dai a luz àquele que procura à verdade.
Ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

DEUS,
Dai ao viajor a estrela guia,
ao aflito a consolação,
ao doente o repouso.

PAI,
Dai ao culpado o arrependimento,
ao espírito a verdade,
a criança o guia
ao órfão o pai

SENHOR,
que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criaste.
Piedade senhor para aqueles que não vos conhecem,
A esperança para aqueles que sofrem.
Que a vossa bondade permita aos espíritos consoladores
derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.

DEUS,
um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a terra.
Deixai-nos beber nas fontes esta bondade fecunda e infinita
e todas as lágrimas secaram, todas as dores acalmar-se-ão.
uma só oração, um só pensamento subirá até vos,
como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha
nos lhe esperamos com os braços abertos
Oh bondade !
Oh beleza !
Oh perfeição !
e queremos de alguma sorte alcançar vossa misericórdia.

DEUS,
Dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vos.
Dai-nos a caridade pura.
Dai-nos a fé e a razão.
Dai-nos a simplicidade, que fará de nossas almas...
um espelho onde se refletirá a vossa santa e misericordiosa imagem.


Psicografada na noite de 25 de dezembro de 1873
pela médium Madame W. Krill, num círculo espírita de Bordeaux, França

domingo, 1 de julho de 2007

'ORAÇÃO DA GRATIDÃO'




Agradeço-te Senhor!
Por tudo que me dás,pelo ar, pelo pão,pela Paz.
Quero agradecer-te pela beleza que meus olhos vêem no altar da natureza, pela ave ligeira que voa fagueira no céu cor de anil, e pelas folhas verdes em tonalidades mil.

No entanto,diante de minha visão, eu te formulo um oração pelos que não podem enxergar.
Deixa-me Senhor, por eles orar
Porque sei que depois desta vida, depois desta lida de prova e expiação, eles também, enxergarão.

Muito obrigado Senhor, pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, A melodia do vento nos ramos do salgueiro, As lágrimas que choram nos olhos do mundo inteiro, E a voz melancólica do boiadeiro.
Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar...
As melodias dos imortais que a gente ouve uma vez e não esquece jamais.
Pela minha faculdade de ouvir eu te quero pedir pelos que não podem ouvir.

Muito obrigado Senhor,pela minha voz.
E também pela voz que canta,
Pela voz que ama,
Pela voz de ternura
Pela voz que liberta da amargura.
Pela voz da consolação.
Mas diante desta melodia,
Eu quero pedir-te pelos que sofrem de afasia,
pelos que não cantam de noite,
pelo que não falam de dia.

Muito obrigado Senhor, pelas minhas mãos.
Mas também pelas mãos que tecem, que amam, que lavam,
Que aram,que semeiam, que colhem.
Pelas mãos da caridade,
Pelas mãos da solidariedade,
Pelas mãos do amor,
Mãos que escrevem cartas, que psicografam,
Mãos que embalam no seio, o corpo de um filho alheio.

Muito obrigado Senhor, pelos meus pés,
Pela possibilidade de caminhar.
Diante de um corpo perfeito, deixa-me louvar
Pelos que estão num leito de dor,
Paralíticos, raquíticos,
Alquebrados,amputados,marcados, infelizes,desgraçados.
Deixa-me por eles orar,
Porque sei, que na outra encarnação, eles também bailarão.

Obrigado Senhor, pelo meu lar,
É tão importante ter um lar.
Mesmo que seja uma tapera,
Um casebre na favela,
Um ninho, uma mansão do caminho.
Um bangalô, um apartamento duplex,
Seja lá o que for.
Mas o importante que dentro dele
Exista a figura do amor.
Amor de pai ou de mãe, de mulher, de marido
De tio, de tia
De um amigo, de um irmão,
Ou mesmo de um cão.
O que importa é que seja amor,
É tão terrível viver na solidão!
* * * Mas se eu não tiver ninguém,
Ninguém para me escutar,
Nem uma cama para me deitar,
Nem mesmo um lar.
Eu terei a ti Senhor,
Muito obrigado pela minha vida que é bela sentida,
Porque tenho a Ti,
E porque nasci,
Muito obrigado Senhor pela crença que me faz resistir.
Por tudo que me deste,que me dás,
Muito obrigado Senhor.


Psicografia:
Divaldo Pereira Franco

VEM E AJUDA



Repara, além das rosas do teu horto,
Onde a luz do teu sonho brilha e mora,
Os romeiros que seguem vida a fora,
Padecendo aflição e desconforto.

Infortunados náufragos sem porto.
Tristes, rogando a paz de nova aurora,
Levam consigo a dor que clama e chora
Sob as chagas do peito quase morto...

Não te detenhas!... Vem, socorre e ajuda
A multidão que passa, inquieta e muda,
Implorando-te amor, consolo e abrigo!...

Reparte o pão que te enriquece a mesa,
Estendendo o teu horto de beleza,
E o Mestre Amado habitará contigo.


Auta de Souza
psicografada pelo médium
Francisco Cândido Xavier

'EU QUERIA'



Senhor!
Eu gostaria de servir,
Gostaria de dar o meu contributo
em favor de um mundo melhor. Gostaria de ser grande e nobre,
para que a dor batesse em retirada da Terra.
Eu gostaria de ser como uma Via-láctea de estrelas,
Para que as noites da Terra fossem mais belas!
Mas ante a minha pequenez, Senhor?!
Não podendo, então ser uma Via-láctea,
deixa-me ser um pirilampo na noite escura,
Iluminando a amargura
de quem vive na escuridão.

Eu queria ser como a chuva generosa,
que caísse sobre a terra porosa
e reverdecesse o chão.
Mas, se eu não o conseguir,
eu te venho pedir
para ser o copo de água fria,
matando a sede, a agonia,
de alguém que está na desesperação.

Eu queria ser como um jardim de flores
de todas as cores,
para embelezar a Terra,
mas, na pobreza que minha alma encerra,
se eu não puder ser um jardim,
deixa-me ser uma flor solitária
na rocha colocada,
para dar beleza
e dignificar a natureza.

Eu queria ser um trigal maduro,
para repletar a mesa
da Humanidade com o pão!
Mas se eu não o puder,
aqui estou a rogar
para ser um grão
que, caído no chão,
se transforme num milhão
e atenda à fome inteira da multidão!

Senhor!
Eu gostaria de ser a montanha altaneira,
donde se tivesse a visão da Terra inteira,
mas, como nunca o hei de conseguir,
aqui estou a pedir
para ser uma pedra
pavimentando o caminho por onde seguem os heróis,
ou uma escada
para ajudar a subida dos homens.
Mas, se eu não o lograr,
deixa-me ser o primeiro degrau ...

Eu queria, sim
ser poeta,
orador,
esteta,
artista,
prosador,
para cantar a magia,
a poesia,
a beleza da Tua Mensagem
de eterna pujança!
Mas, como me faltam o estro,
a palavra,
a tinta,
a empatia,
deixa-me, Senhor,
ficar à sombra de uma árvore
no caminho,
para quando passe alguém
de mansinho,
eu lhe diga:
- “Olá, meu amigo!”
E ele, olhando-me,
Possa perguntar quem sou
E eu lhe responder, tranqüilo: “Sou teu irmão.
Dá-me tua mão.
Irei contigo...”

Ó Senhor!
Muito obrigado,
porque nasci,
porque creio em Ti.
Muito obrigado!


Poesia recitada pelo orador Espirita DIVALDO PEREIRA FRANCO que tive o privilégio de ouvir, no dia 29/06/2.007 na Sogipa/PA/RGS

VERDADES



Roubo do hoje a força
Fazendo nascer o amanhã.
Da janela acompanho com olhar
As nuvens do céu.
De novo a sombra sinistra
Tolda tristemente meus sonhos.

Tua imagem me acompanha
Por todos os lugares por onde ando.
E em todos os momentos
É a tua presença que espanta
As brumas do desconhecido.

Não faço perguntas.
Tenho medo das respostas que já sei.
Liberta do invólucro físico
Devolverei a matéria ao pó de que fora feito.

Vivi meus três caminhos na terra.
Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
Minhas atitudes,
Procurando não reincidir nos mesmos erros.

Agora - vago e espero
Entre ápodos e flagelos
O ressurgir da verdade.

Delasnieve Daspet

A JANELA ENCANTADA



A vida sempre foi boa comigo.
Quando soube que o meu coração
estava carregado de sombras
e que ele só se alimenta de luz,
abriu uma janela no meu peito
para que por ela possam entrar
o resplendor do orvalho
o fulgor das estrelas
e o invisível arco-íris do amor.

Thiago de Mello